A Superintendência Municipal de Trânsito (SMT) bloqueou mais uma faixa de conversão livre em Feira de Santana. Desta vez, o cruzamento das avenidas João Durval Carneiro e Presidente Dutra passou a operar com semáforo obrigatório desde terça-feira (3). A medida vale até a desmontagem total dos camarotes da Micareta 2026, marcada para 19 a 22 de novembro.
Quem costuma cortar pela direita para acessar a Presidente Dutra agora precisa parar no vermelho. Parece detalhe, mas o impacto no fluxo de veículos pesados e no tempo de deslocamento já preocupa motoristas e operadores logísticos da região.
Por que a segunda suspensão em menos de um mês
A primeira intervenção ocorreu em 12 de outubro, no entroncamento das avenidas Maria Quitéria e Presidente Dutra. O superintendente Ricardo Cunha explicou que a decisão visa evitar conflitos entre veículos em movimento e a operação de guindastes, caminhões e equipes de montagem das estruturas VIP.
O raciocínio é simples: a “Direita Livre” permite fluxo contínuo, mas tira do semáforo o controle de quem cruza a pista. Com operários e equipamentos pesados circulando na área de obra, o risco de atropelamento e colisão lateral sobe exponencialmente.
Números que dimensionam a obra
- 2 faixas de Direita Livre suspensas em 2025
- 19 a 22 de novembro — dias oficiais da Micareta 2026
- 3 de novembro — início da segunda interdição
- Pós-evento — prazo estimado para reativação total das conversões
A prefeitura não divulgou o total de camarotes previstos, mas a estrutura costuma ocupar quarteirões inteiros no circuito da Presidente Dutra. Cada módulo exige fundação, cobertura, banheiros químicos, geradores e passarelas — tudo montado com o trânsito funcionando nas vias adjacentes.
Efeito cascata no comércio e na logística
Comerciantes da João Durval relatam queda no movimento de almoço desde a primeira interdição. Caminhoneiros que abastecem o Centro de Abastecimento e indústrias do Distrito Industrial precisam recalcular rotas: o desvio pela Getúlio Vargas adiciona até 12 minutos por viagem, segundo estimativas de aplicativos de navegação.
Para frotas que fazem 8 a 10 viagens diárias, isso representa quase duas horas extras de operação por veículo. Em combustível e hora de motorista, o custo invisível da obra pode passar de R$ 15 mil por semana apenas para uma frota média de 15 caminhões.
O que a SMT monitora e o que pode mudar
Agentes de trânsito farão contagem de veículos nos horários de pico (6h-9h e 17h-20h) nas duas interseções alteradas. Se a retenção ultrapassar 15 minutos médios por ciclo semafórico, a SMT avalia liberar a Direita Livre em janelas de baixo movimento — madrugada e início de tarde.
Outra variável: a programação de shows. Cláudia Leitte, Léo Santana e Pedro Sampaio estão confirmados. Noites de cabeça de cartaz costumam atrair 200 mil pessoas ao circuito, o que dobra o fluxo de carros de aplicativo e estacionamento irregular nas imediações.
O que observar daqui para frente
Se você opera na região, três datas merecem atenção no calendário: a reativação da primeira faixa (Maria Quitéria), prevista para até 29 de novembro; a desmontagem final dos camarotes, que deve se estender pela primeira semana de dezembro; e a eventual publicação de decreto que torne permanente a alteração no cruzamento da João Durval — hipótese que a SMT não descarta, alegando ganho de segurança viária comprovado durante o período de testes forçado pela obra.
Enquanto isso, a recomendação oficial segue a mesma: planeje saída 15 minutos antes do habitual e evite a Presidente Dutra entre 16h e 22h nos dias de evento. O Waze e o Google Maps já atualizaram as rotas, mas aplicativos de gestão de frota podem precisar de ajuste manual nos pontos de parada programados.
