Economia

Transição energética: quem paga a conta verde na Amazônia?

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Especialistas debatem quem paga a conta da energia verde na Amazônia durante fórum em Belém.

Belém recebe nesta quarta-feira (4) um fórum que coloca no centro do debate uma pergunta incômoda: na corrida por energia limpa, quem arca com os custos e quem fica para trás? O evento gratuito, promovido por O Globo e Valor Econômico com patrocínio da Vale, reúne especialistas para dissecar o impacto social das tarifas e subsídios na região amazônica.

A entrada é livre, mas as vagas são limitadas e exigem inscrição prévia online. O encontro começa às 9h30 no Hotel Grand Mercure, na avenida Nazaré, e promete ir além do discurso genérico sobre sustentabilidade.

O que está em jogo não é só tecnologia

A transição para uma economia de baixo carbono carrega um dilema distributivo. Decisões regulatórias, modelos de financiamento e a estrutura de subsídios podem ampliar desigualdades se não forem desenhadas com recorte social. O fórum propõe exatamente essa análise: como evitar que a conta da descarbonização caia no colo das populações mais vulneráveis.

Na Amazônia, o desafio ganha contornos únicos. Isolamento logístico, déficit de infraestrutura e a presença de comunidades tradicionais tornam o “custo da mudança” uma variável sensível. Não basta instalar painéis solares; é preciso garantir que a energia chegue — e que seja acessível.

Dois painéis, uma mesma urgência

A programação divide o problema em duas frentes complementares. Às 10h, o primeiro painel aborda os custos da transição e seus impactos sociais. A mediação fica por conta de Daniela Chiaretti, repórter especial do Valor Econômico. Os debatedores trazem visões de dentro do setor:

  • Fatima Chamma, CEO da Chamma na Amazônia;
  • Gustavo Tavares, gerente de Regulação da Equatorial Pará;
  • Eugênio Pantoja, gerente sênior de Relações Externas da B&A e diretor-técnico do Fundo Hydro.

A discussão deve girar em torno dos modelos de financiamento para energia limpa e os riscos reais de exclusão social. O segundo painel, às 11h, muda o foco para soluções: como transformar o novo arcabouço regulatório e a inovação tecnológica em emprego, renda e infraestrutura para a população local.

  • Lilian Rebellato, professora da Ufopa;
  • Lucas Mateus Coelho Nunes, pesquisador e doutorando pela Uepa;
  • Sergio Andrade, diretor-executivo da Agenda Pública.

Onde o dinheiro entra — e onde pode faltar

Um dos pontos centrais do debate será a engenharia financeira por trás da transição. Subsídios cruzados, encargos setoriais e tarifas de uso do sistema de transmissão compõem uma conta que, no fim, é paga pelo consumidor final. Na prática, isso significa que decisões tomadas em gabinetes em Brasília reverberam na fatura de luz de um ribeirinho no interior do Pará.

O fórum não promete respostas prontas. O objetivo declarado é mapear caminhos para que a migração energética não reproduza velhas assimetrias. Para empresários e investidores, o evento sinaliza onde estarão os gargalos regulatórios — e, por consequência, as oportunidades de modelos de negócio que internalizem justiça social desde o projeto.

Como participar

O credenciamento começa às 9h30, com welcome coffee. Os painéis seguem até o meio-dia. Inscrições gratuitas pelo site oficial do projeto (oglobo.globo.com/projetos/transicaoenergetica/). O público-alvo inclui pesquisadores, gestores públicos, executivos de ESG, profissionais de meio ambiente e do setor elétrico.

O que observar daqui para frente

A discussão em Belém é um termômetro. O que for dito ali deve ecoar nas próximas revisões tarifárias, nos leilões de transmissão e nas políticas de universalização do acesso à energia na Amazônia Legal. Para quem toma decisão de investimento ou define estratégia ESG, o recado é claro: a licença social para operar na região passa, cada vez mais, por demonstrar como o projeto divide benefícios — e não apenas como ele mitiga impactos.