A cesta básica no Vale do Paraíba ultrapassou a barreira dos R$ 2.990 em outubro, marcando o segundo mês consecutivo de alta e devolvendo todo o alívio registrado durante o inverno. Para uma família de cinco pessoas, o custo mensal subiu R$ 47,91 em apenas 30 dias.
O avanço de 1,63% parece modesto, mas esconde uma concentração rara: 98,9% do aumento veio exclusivamente dos alimentos. O que explica essa pressão pontual e por que ela pode não parar por aqui?
O mapa das desigualdades entre cidades
A diferença entre o município mais caro e o mais barato da região chega a quase R$ 282. Em Campos do Jordão, a cesta custa R$ 3.185,56; em Taubaté, R$ 2.904,31. A variação percentual também diverge: Caçapava liderou as altas com 2,05%, enquanto Taubaté registrou a menor, 1,39%.
- Campos do Jordão: R$ 3.185,56 (+1,60%)
- Caçapava: R$ 2.949,35 (+2,05%)
- São José dos Campos: R$ 2.940,51 (+1,46%)
- Taubaté: R$ 2.904,31 (+1,39%)
Segundo os economistas do Nupes/Unitau, a logística de subir a Serra da Mantiqueira encarece o abastecimento em Campos do Jordão. Já Taubaté se beneficia da concorrência comercial às margens da Via Dutra. Mas o efeito geográfico é só parte da história.
Chuva excessiva e boi a R$ 400: a combinação perfeita
Dois fatores estruturais pressionaram os preços em outubro. O primeiro veio do clima: chuvas acima da média desde setembro comprometeram colheitas, manejo no solo encharcado e a qualidade de hortaliças no interior paulista e no Triângulo Mineiro.
O segundo fator veio do pasto. Pela primeira vez, a arroba do boi gordo superou R$ 400 no mercado futuro da B3. A oferta de animais prontos para abate caiu 12,11%, empurrando cortes nobres para patamares recordes nos supermercados.
Os vilões e os alívios do mês
Enquanto alguns itens dispararam, outros devolveram parte das altas anteriores. Veja o comportamento extremo:
- Cebola: +20,54% (segunda alta seguida)
- Tomate salada: +17,50% (após subir 45,34% em setembro)
- Mamão Formosa: +15,02%
- Alface: +9,66% (folhosas sofrem com solo encharcado)
- Contrafilé: +6,93% | Alcatra: +6,74%
Do lado das quedas, a cenoura recuou 17,21% — quarta baixa consecutiva, acumulando 48% de redução graças ao alto estoque em São Gotardo (MG). Abobrinha (-6,72%) e alho (-6,30%) também aliviaram o bolso.
O que observar daqui para frente
Os três grupos que compõem o índice subiram em outubro: alimentação (+1,78%, para R$ 2.703,69), limpeza doméstica (+0,28%, R$ 138,84) e higiene pessoal (+0,09%, R$ 152,40). A soma das altas de setembro (R$ 62,87) e outubro (R$ 47,91) totaliza R$ 110,78 — valor que apaga integralmente o recuo de R$ 106,37 acumulado em julho e agosto.
Se a oferta de boi gordo seguir restrita e as chuvas persistirem acima da média histórica, a tendência é de manutenção da pressão sobre proteínas e hortifrútis nas próximas leituras. Para quem gere orçamentos familiares ou comerciais na região, o sinal é de atenção redobrada aos contratos de fornecimento e à substituição de itens voláteis.
