Economia

Durigan mira 2027 para cortar benefícios e derrubar alíquota da CBS

Ministro da Fazenda Dario Durigan discute meta de 2027 para reduzir alíquota da CBS na reforma tributária
Durigan prevê negociação no Congresso em 2027 para cortar benefícios e baixar a CBS.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que o governo pretende abrir negociação com o Congresso em 2027 para revisar os benefícios fiscais aprovados na reforma tributária. A meta declarada é reduzir a alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), hoje estimada em 11,3% pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

A declaração sinaliza que a equipe econômica já trabalha com a hipótese de que a alíquota-padrão do novo imposto federal pode pesar mais do que o desejado sobre a atividade produtiva. Mas o caminho para baixar esse número passa, necessariamente, por um choque de interesses no Legislativo.

Por que a revisão ficou para 2027

A reforma tributária (Emenda Constitucional 132) estabelece um longo período de transição, que vai de 2026 a 2033. Durante essa fase, as regras atuais convivem com as novas, o que impede qualquer mexida brusca na base de cálculo dos tributos.

Durigan indicou que 2027 marca o momento em que a poeira baixa o suficiente para uma avaliação realista. Até lá, a Receita Federal terá dados concretos de arrecadação sob as novas normas, permitindo dimensionar o impacto real de cada incentivo concedido na lei complementar de regulamentação.

O peso dos incentivos na conta final

A alíquota de referência de 11,3% calculada pelo TCU não é um teto, mas um parâmetro inicial. Ela reflete a necessidade de manter a carga tributária neutra — ou seja, arrecadar o mesmo que o sistema atual — somando-se a todos os benefícios setoriais e regionais aprovados pelos parlamentares.

Quanto mais exceções, maior a alíquota para quem paga o cheio. A lógica do ministro é simples: se o Congresso aceitar enxugar a lista de favorecidos, a alíquota geral cai para todos.

  • Benefícios setoriais: regimes especiais para combustíveis, serviços financeiros, planos de saúde, entre outros.
  • Incentivos regionais: manutenção de vantagens para a Zona Franca de Manaus e áreas de fronteira.
  • Cesta básica e medicamentos: alíquotas reduzidas ou isenções que estreitam a base de cálculo.

O obstáculo político: cada benefício tem um padrinho

Revisar benefícios fiscais é, historicamente, uma das tarefas mais espinhosas da política brasileira. Cada isenção ou regime especial tem uma bancada articulada para defendê-la — seja por apelo social, pressão de setores organizados ou interesse regional.

Durigan sabe que a negociação não será técnica, mas política. O governo precisará oferecer contrapartidas ou construir uma narrativa de “justiça tributária” forte o suficiente para vencer a inércia do status quo. O sucesso depende da correlação de forças no Congresso a partir de 2027.

O que muda para o contribuinte na prática

Se a estratégia funcionar, o efeito cascata atinge a formação de preços. Uma CBS menor reduz a carga sobre o consumo, o que pode aliviar a inflação de serviços e bens industriais no médio prazo. Para empresas, a simplificação real só ocorre se a base de cálculo ampliar sem que a alíquota compense o ganho.

Por outro lado, setores que hoje gozam de regimes favoráveis terão de se preparar para uma tributação mais próxima do padrão geral. O planejamento tributário de 2025 e 2026 deve considerar esse cenário de incerteza regulatória.

O que observar daqui para frente

Três variáveis definirão se a promessa de 2027 sai do papel: a disposição do Ministério da Fazenda em gastar capital político nessa pauta, a composição das comissões temáticas da Câmara e do Senado naquele ano e a pressão da sociedade por uma alíquota única mais baixa. O primeiro teste virá com a entrega dos relatórios de avaliação de benefícios fiscais, obrigatórios pela nova legislação, que começarão a subsidiar o debate técnico.