Cultura

O segredo por trás da 21ª queda: o que o Vitória revela sobre gestão de crise

Vitória demite 21º técnico Jair Ventura a 5 rodadas do fim do Brasileirão 2024
Jair Ventura é o 21º treinador demitido pelo Vitória na temporada, clube luta contra o rebaixamento

O Vitória demitiu Jair Ventura a cinco rodadas do fim do Brasileirão, tornando-o o 21º técnico cortado na temporada. O clube capixaba tem 38 pontos — apenas dois acima da zona de rebaixamento.

A decisão expõe um padrão brutal: apenas cinco treinadores sobrevivem desde janeiro. O que isso ensina sobre liderança sob pressão extrema?

O gatilho que ninguém comenta

A derrota por 2 a 0 para o Coritiba no sábado (31) foi a gota d’água. Mas o quadro já vinha se desenhando: nos últimos 14 jogos, apenas quatro vitórias. O aproveitamento de 49% em 69 partidas mascara uma queda livre no returno.

O time era 11º ao fim do primeiro turno. Caiu para 14º. A margem de erro evaporou.

Os números que assustam a diretoria

  • 38 pontos — posição 14ª
  • 2 pontos — distância para o Z4 (Corinthians, 16º)
  • 5 rodadas — jogos restantes
  • 21 demissões — técnicos trocados na Série A em 2026

O rebaixamento para a Série B não é só esportivo. Significa perda de cotas de TV, queda de bilheteria, desvalorização de ativos e ruptura de contratos de patrocínio. Uma decisão de gestão, não apenas técnica.

O custo da instabilidade

Ventura chegou em setembro de 2025. Evitou a queda, conquistou a Copa do Nordeste 2026 e levou o time às quartas da Copa do Brasil. O currículo não segurou o cargo.

Saem com ele os assistentes Emílio Faro e Antônio Macedo. Três profissionais, uma comissão técnica inteira descartada em meio a uma “final de campeonato” de cinco rodadas.

Quem resiste ao furacão

Apenas cinco técnicos iniciaram e terminam o ano no comando: Abel Ferreira (Palmeiras), Odair Hellmann (Athletico-PR), Rafael Guanaes (Mirassol), Rogério Ceni (Bahia) e Vagner Mancini (Red Bull Bragantino).

O denominador comum? Projetos de médio prazo, respaldo institucional e elencos montados para o modelo de jogo. Onde há continuidade, há resultado.

O próximo “conselho de administração”

Sábado (7), 20h, Barradão. Adversário: Fluminense, 4º colocado, brigando por Libertadores. Um confronto direto entre quem precisa de pontos para não cair e quem precisa para subir.

O interino — ou o novo contratado — terá 90 minutos para provar que a troca não foi pânico. O mercado observa.

O que observar daqui pra frente

Três variáveis definirão se a aposta valeu a pena: capacidade de blindar o vestiário contra a ansiedade, adaptação tática imediata ao elenco existente e gestão de minutos nos jogos decisivos. Em cinco rodadas, não há tempo para “filosofia”. Só execução.

Para quem gere negócios sob risco regulatório ou de mercado, o caso Vitória é um estudo de caso real: até que ponto a troca de comando resolve problemas estruturais? A resposta virá em 30 de novembro.