A ONU acaba de confirmar: 189 jornalistas foram assassinados no biênio 2024-2025, o maior número em uma década. Mas o dado mais alarmante não é a quantidade — é a tecnologia por trás das mortes.
O alerta partiu do secretário-geral António Guterres, na abertura do Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes Contra Jornalistas. A data, marcada para 2 de novembro, expõe uma escalada que vai muito além da categoria profissional.
Quando drones viram armas de silenciamento
Pela primeira vez, o relatório da ONU detalha como novos armamentos estão redefinindo o risco em zonas de conflito. Ataques com drones deixaram de ser exceção e passaram a figurar como causa recorrente de óbitos entre profissionais de imprensa.
Essa mutação tecnológica sinaliza algo mais amplo: a assimetria de poder entre quem controla a informação e quem tenta suprimi-la. Para investidores, isso se traduz em instabilidade regulatória e opacidade em mercados emergentes.
O custo direto para quem decide com base em dados
Ambientes onde jornalistas são eliminados sem consequências costumam compartilhar três traços: instituições fracas, corrupção sistêmica e ausência de Estado de Direito. São exatamente os sinais de alerta que modelos de risco país capturam — muitas vezes tarde demais.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Federação Internacional (FIJ) apontam três perguntas que permanecem sem resposta na maioria dos casos:
- Quem ordenou o assassinato?
- Quem planejou a execução?
- Quem é o responsável final?
Quando governos não investigam, o vácuo de accountability contamina contratos, licenças e a previsibilidade jurídica que todo negócio exige.
O padrão histórico que o mercado ignora
O biênio 2024-2025 iguala os números mais sangrentos desde 2014-2015. A diferença? Naquele período, a concentração de mortes estava na Síria e no Iraque. Hoje, a dispersão geográfica é maior — o que dificulta a precificação de risco por região.
Samira de Castro, presidente da Fenaj, resume: “O assassinato de qualquer jornalista é inaceitável”. A frase soa óbvia, mas a impunidade persiste acima de 80% nos casos documentados pela UNESCO.
O que observar daqui para frente
Três variáveis merecem monitoramento contínuo nos próximos trimestres: a adoção de legislações nacionais de proteção a fontes e repórteres, o uso de tecnologia de vigilância contra profissionais de imprensa e a disposição de organismos multilaterais em sancionar regimes que toleram a violência.
Para quem aloca capital, a equação é simples: onde a verdade tem preço, a informação tem risco. E risco não precificado é o único que derruba portfólio.
