Economia

Crise em Paris: Airbnb Cai 50% e Novembro Ameaça Ocupação de 35%

Paris vazia com marcos icônicos e placas de aluguel sazonal indicando queda no turismo
Paris enfrenta crise no aluguel sazonal com queda de 50% nas reservas após tumultos de outubro.

As reservas em plataformas de aluguel por temporada em Paris despencaram após a onda de tumultos de meados de outubro, acendendo um alerta vermelho para investidores e operadores do setor. A violência não apenas assustou turistas; ela quebrou a curva de demanda justamente na transição para a baixa temporada. O que acontece nas próximas semanas definirá se o prejuízo é um solavanco ou uma mudança estrutural de rota.

O choque nos números: queda de 50% nas novas reservas

A Agence Butler, gestora de até 150 imóveis na capital francesa, reportou um tombo de 50% nas novas reservas desde o dia 17 de outubro. O recorte de última hora é ainda mais brutal: 75% de redução. Diretor de marketing da empresa, Louis Carrel-Billiard resume o cenário: “Mais do que os cancelamentos, o principal problema continua sendo a falta de novas reservas”.

Dados da AirDNA confirmam a hemorragia no mercado amplo. Na semana seguinte aos distúrbios, as reservas em Airbnb, Booking.com e Vrbo caíram 18% na comparação anual. Quase um terço das estadias programadas para o período de sete dias iniciado em 19 de outubro foi simplesmente cancelado.

Projeção sombria: novembro com ocupação de 35%

Se a inércia atual persistir, a taxa de ocupação para novembro pode travar em 35% — praticamente a metade do registrado no mesmo mês de 2023. O impacto no caixa é imediato: a Agence Butler, que origina 75% de sua receita via Airbnb, registrou sete casos de hóspedes que não compareceram e nem sequer pediram reembolso.

Para estimular a procura, a gestora e concorrentes como a Get a Key já cortaram diárias em até 50% em outubro. Leonard de Taillandier, CEO da Get a Key, define a volatilidade atual: “Essa atividade é como uma montanha-russa. A qualquer momento a demanda dispara, mas episódios de tumultos derrubam a procura na hora”.

O contágio atinge a hotelaria de luxo

O fenômeno não poupa o topo da pirâmide. A UMIH Prestige, associação que reúne hotéis de luxo, contabilizou 20% de taxa de cancelamento na última semana de outubro. As reservas de última hora — vitais para preencher lacunas — recuaram 60% frente ao padrão histórico.

Para Christophe Laure, à frente da entidade, os meses de novembro e dezembro parecem “muito fracos”.

  • Queda nas novas reservas (Agence Butler): 50%
  • Queda nas reservas de última hora: 75% (gestoras) / 60% (hotéis de luxo)
  • Cancelamentos de estadias programadas (AirDNA): ~33%
  • Projeção de ocupação para novembro: 35%
  • Redução de tarifas praticada: até 50%

Contexto: da previdência aos saques no centro de Paris

Os protestos eclodiram em setembro, puxados por estudantes e servidores públicos contra o custo de vida e por mais recursos. Em meados de outubro, a mobilização degenerou em vandalismo: prédios públicos incendiados e lojas saqueadas no centro da capital. O auge forçou o fechamento do Museu do Louvre no dia 24, frustando roteiros planejados com meses de antecedência.

Vitrine do turismo global, Paris ostentava em 2024 o posto de maior cidade do Airbnb no mundo em diárias reservadas e anúncios ativos — feito impulsionado pelos Jogos Olímpicos. A infraestrutura de lojas tapumadas e forte esquema policial nas ruas comerciais, porém, transmite uma imagem de insegurança que demora a se dissolver.

Efeito dominó: Milão, Frankfurt e Colônia também sentem

A instabilidade não é exclusividade francesa. Outras praças europeias relevantes — Milão, na Itália, e Frankfurt e Colônia, na Alemanha — registraram tumultos e saques nos mesmos dias. Para gestores de portfólios multinacionais, o sinal é claro: o risco geopolítico urbano deixou de ser “cauda de distribuição” para virar variável central de precificação e alocação no curto prazo.

O que observar daqui para frente

O próximo teste de fogo está marcado para 5 de novembro, data de novas manifestações nacionais convocadas na França. A capacidade das autoridades de conter a violência sem fechar atrações turísticas ditará se a curva de reservas esboça recuperação em dezembro ou se o primeiro trimestre de 2025 começa com base de comparação deprimida. Para o investidor, a métrica-chave não é mais a diária média, mas a velocidade de recomposição do funil de novas reservas nas próximas duas semanas.