Internacional

Final épica: Cruzeiro vira 4 a 4 nos pênaltis e expõe abismo da Conmebol

Jogadoras do Cruzeiro comemoram título da Libertadores Feminina 2024 erguendo taça no estádio em Quito
Cruzeiro conquista Libertadores Feminina inédita após virada histórica contra o Corinthians nos pênaltis.

O Cruzeiro conquistou a Libertadores Feminina em sua estreia, virando uma desvantagem de 3 a 0 contra o tetracampeão Corinthians e decidindo nos pênaltis após 4 a 4 no tempo normal. O feito inédito — nenhuma final única, masculina ou feminina, teve virada de três gols — escancara o potencial desperdiçado do futebol feminino sul-americano.

Como tudo aconteceu em Quito

Aos 3 minutos do segundo tempo, o Corinthians vencia por 3 a 0 com dois gols de Gabi Zanotti. O quarto título seguido das Brabas parecia certo. Mas o Cruzeiro marcou três vezes em 20 minutos, sofreu o quarto gol e buscou o empate aos 45 do segundo tempo.

Na disputa de pênaltis, vieram isoladas, defesas e um golaço de Robledo. Camila Rodrigues pegou a cobrança de Gi Fernandes e selou o título histórico das Cabulosas.

O cenário que ninguém vê na TV

O que a transmissão não mostra explica muito do nível técnico exibido:

  • Altitude de 2.850 metros em Quito
  • 6 jogos em 16 dias — ritmo de guerra, não de elite
  • Dois estádios com gramados deteriorados
  • Atletas exaustas, sem recuperação adequada
  • Estádios vazios, sem torcida de nenhum dos finalistas

Mesmo assim, saíram 8 gols e uma partida que especialistas já classificam como uma das maiores finais da história do torneio.

A conta que não fecha na Conmebol

O abismo estrutural salta aos olhos quando se comparam os números da entidade:

  • Premiação do título feminino: US$ 2 milhões
  • Premiação do título masculino: US$ 25 milhões
  • Duração do torneio feminino: 2 semanas
  • Duração do torneio masculino: meses
  • Preparação para a final: 3 dias contra semanas no masculino

A Conmebol tem orçamento. A entidade arrecada centenas de milhões em direitos de TV, patrocínios e bilheteria dos torneios masculinos. O investimento no feminino permanece residual.

O que está em jogo para 2027 e além

A Copa do Mundo Feminina de 2027 será no Brasil. A Conmebol terá os holofotes globais voltados para sua região. O torneio deste ano provou que o produto existe, atrai e emociona — mesmo jogado em condições precárias.

Clubes brasileiros começam a estruturar departamentos femininos profissionais. Corinthians, Palmeiras, Ferroviária e agora Cruzeiro mostram que há público, talento e mercado. Falta a entidade continental acompanhar.

O que observar nos próximos meses

A definição do calendário 2027 da Conmebol dirá se a entidade entendeu o recado. A ampliação do torneio para mais datas, melhores estádios e premiação condizente não é favor — é investimento no ativo que mais cresce no futebol mundial. O Cruzeiro provou: com tão pouco, elas entregam espetáculo. Imagine com o mínimo digno.