Economia

Ágora troca Allos por Vivo na carteira de dividendos: veja as 5 ações para novembro

Gráfico da carteira de dividendos Ágora com ações VIVT3 e ALOS3 destacadas
Ágora substitui Allos por Vivo na carteira de dividendos de novembro 2024

A Ágora Investimentos promoveu uma mudança cirúrgica em sua carteira recomendada de dividendos para novembro: retirou Allos (ALOS3) e colocou Telefônica Brasil (VIVT3) no lugar. A troca sinaliza uma aposta clara em empresas que entregam caixa na mão agora, não promessas futuras. O que isso diz sobre o momento do mercado?

A justificativa dos analistas é direta: a dona da Vivo combina geração de caixa robusta, baixa sensibilidade ao ciclo macroeconômico e perfil defensivo num cenário de juros longos elevados. Em resumo, enquanto o custo de capital sobe, quem paga dividendos com dinheiro real sai na frente.

Por que a Vivo entrou agora

A equipe da Ágora revisou as estimativas e manteve praticamente inalteradas as projeções de receita para 2026 e 2027. O ajuste ficou restrito ao mix entre receitas móveis e fixas, refletindo novas estratégias comerciais da operadora. Não há revisão de guidances agressiva — apenas a constatação de que o modelo atual encaixa no que o momento pede.

“Com a recente mudança de percepção do mercado, a tendência é favorecer empresas com geração de caixa mais imediata e menor exposição ao aumento do custo de capital”, diz o relatório. A leitura é que o mercado passou a penalizar mais pesado quem depende de financiamento caro para crescer.

As outras quatro posições que completam a carteira

Além da Telefônica, a seleção para novembro mantém quatro nomes que já vinham sendo recomendados. Cada um carrega 20% de peso na carteira, num desenho igualitário que evita concentração excessiva.

  • Copasa (CSMG3) — Recomendação de compra, preço-alvo R$ 78,00, dividend yield projetado de 12,0% para 2026
  • Caixa Seguridade (CXSE3) — Recomendação neutra, preço-alvo R$ 21,00, DY 2026 de 8,0%
  • ISA Energia (ISAE4) — Recomendação neutra, preço-alvo R$ 34,00, DY 2026 de 6,9%
  • Itaú (ITUB4) — Recomendação de compra, preço-alvo R$ 45,00, DY 2026 de 7,9%
  • Telefônica Brasil (VIVT3) — Recomendação neutra, preço-alvo R$ 36,00, DY 2026 de 8,4%

O destaque numérico fica por conta da Copasa, único papel com recomendação de compra explícita e yield de dois dígitos projetado. O setor de saneamento segue beneficiado por marco regulatório e contratos longos indexados à inflação.

Desempenho recente e o que ele ensina

Em outubro, até o dia 28, a carteira recuou 7,6%. O Ibovespa, no mesmo período, caiu 8,2%. A diferença de 0,6 ponto percentual parece modesta, mas num mês de venda generalizada, perder menos que o índice já é uma forma de proteção. Carteiras de dividendos não são desenhadas para brilhar em rallys — servem para sangrar menos nas correções.

Mas o efeito mais relevante aparece na composição setorial: bancos, saneamento, energia transmissão e telecom. Quatro setores com receitas contratadas ou regulação previsível. Nenhuma ação de varejo, construção ou commodities cíclicas.

O que observar daqui para frente

A manutenção de quatro posições e a troca pontual de uma única ação sugerem que a Ágora não vê ruptura de tese — vê ajuste de timing. O sinal para o investidor é claro: em ambiente de juros reais altos e curva de juros longa inclinada, a prioridade passa a ser previsibilidade de fluxo de caixa sobre crescimento acelerado.

Para os próximos meses, vale monitorar dois gatilhos: eventuais revisões de guidances das empresas na safra de resultados do 3T24 e a trajetória da curva de juros reais (NTN-Bs). Se os yields longos continuarem subindo, a pressão por empresas “caixa na mão” deve se intensificar — e a carteira pode ganhar novos nomes defensivos em detrimento de pagadores de dividendos crescentes, mas mais alavancados.