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Haas vive ‘momento dramático’: Ocon sai às pressas e futuro na F1 vira incógnita

Esteban Ocon no carro da Haas durante GP México, momento tenso antes de saída repentina
Esteban Ocon deixa carro da Haas no GP do México após decisão dramática da equipe.

A Haas rompeu o protocolo e tirou Esteban Ocon do carro no meio do fim de semana do GP da Cidade do México. A decisão, classificada pelo chefe Ayao Komatsu como um “momento dramático”, deixa o futuro do piloto francês em aberto nas quatro etapas finais da temporada.

O substituto imediato é Ryo Hirakawa, que já estava escalado para o treino livre de novatos. Mas a dúvida que consome o paddock é simples: o divórcio é apenas para esta corrida ou o contrato de 2025 foi rasgado antes da hora?

A faísca que incendiou a garagem

Tudo começou com uma mudança de estratégia no segundo treino livre. O combinado era avaliar pneus para a corrida; a equipe alterou o plano sem avisar. Ocon voltou aos boxes visivelmente irritado. Minutos depois, a discussão escalou para o escritório de Komatsu.

Relatos do paddock dão conta de um confronto físico — o piloto teria agarrado o colarinho do chefe. Ocon nega veementemente qualquer agressão. Komatsu, por sua vez, blinda o conteúdo da conversa: “Nunca vou revelar o que realmente aconteceu”.

O que Komatsu admitiu (e o que evitou)

Em entrevistas à F1TV e ao Canal+, o dirigente japonês desenhou o cenário com frases curtas e pesadas:

  • Responsabilidade total: “Assumo total responsabilidade por isso. Expliquei a situação para Gene Haas e ele me apoiou.”
  • Decisão irreversível no curto prazo: “Estava convencido de que era a única decisão a ser tomada.”
  • Incerteza total sobre o retorno: “Por enquanto, a decisão é válida apenas para este fim de semana. Não sei se algum dia contarei essa história.”

A vaga de Ocon para 2025 já pertence a Rafael Câmara, campeão da F3 e pupilo da Ferrari. O brasileiro, no entanto, garante não ter sido procurado para antecipar a estreia. A lista de opções na mesa inclui o próprio Hirakawa e o reserva Jack Doohan.

Hirakawa: da surpresa ao top 18 em horas

O japonês de 32 anos soube que correria no lugar de Ocon minutos antes do TL3. “Esse é o tipo de oportunidade que você espera uma vida inteira para ter”, respondeu ele a Komatsu. Perdeu apenas uma sessão (TL2) e cravou o 18º tempo no quali — herdou a posição após a desclassificação de Liam Lawson (Red Bull).

A largada está marcada para as 17h (Brasília) deste domingo. O desempenho de Hirakawa nas próximas horas pode ditar os rumos da vaga nas três corridas restantes.

O posicionamento do piloto francês

Nas redes sociais, Ocon confirmou a “divergência de pontos de vista” na noite de sexta-feira (30), mas rejeitou “categoricamente” a violência física. “Condeno veementemente a violência em todas as suas formas”, escreveu. O comunicado pede o fim das especulações enquanto a situação é tratada internamente.

O que observar daqui para frente

O calendário não perdoa: São Paulo, Las Vegas, Catar e Abu Dhabi fecham o ano. A Haas precisa resolver a equação financeira e esportiva de um carro vazio — ou ocupado por um reserva sem quilometragem de corrida — em pistas que exigem acerto fino. Se Hirakawa andar bem no México, a porta para Doohan ou Câmara se fecha um pouco mais. Se ele sofrer, a pressão por um nome de peso para o Brasil aumenta. A única certeza, por enquanto, é que a relação entre Ocon e a equipe americana chegou a um ponto de não retorno.