Economia

Petrobras eleva QAV 7,2% e companhias aéreas sentem o peso: o que vem pela frente?

Petrobras anuncia alta de 7,2% no QAV, terceira consecutiva, pressionando custos de companhias aéreas e passagens
Petrobras eleva querosene de aviação em 7,2% a partir de novembro, acumulando terceira alta seguida no ano.

A Petrobras confirmou novo reajuste de 7,2% no querosene de aviação (QAV) a partir de 1º de novembro, elevando o custo em R$ 0,45 por litro. É a terceira alta seguida e o impacto no bolso das companhias aéreas — e, por tabela, no preço das passagens — já preocupa analistas do setor.

Em outubro, o combustível subiu cerca de 12% nas principais bases. Em setembro, a alta média bateu 13,9%. O movimento acumula pressão significativa em poucos meses.

Por que o preço não para de subir

A estatal atribui o reajuste à escalada das cotações internacionais do QAV. Dois fatores pesam: as tensões geopolíticas no Oriente Médio e a perda de capacidade de refino na Rússia e na Ucrânia, consequência direta da guerra entre os dois países.

Os contratos preveem ajustes mensais no início de cada ciclo. A fórmula brasileira, segundo a Petrobras, suaviza a volatilidade de curto prazo — diferentemente do exterior, onde revisões podem ser diárias.

O efeito cascata nas operações aéreas

O QAV representa, em média, 30% a 40% dos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras. Cada centavo de alta no litro repercute na formação de tarifas, na malha oferecida e na rentabilidade das rotas.

  • Gol e Azul já sinalizaram repasse parcial nos preços nos últimos trimestres
  • Latam ajustou projeções de custo unitário (CASK) para cima
  • Aviação regional sente impacto proporcionalmente maior por escala menor

Mas o efeito mais relevante aparece em outro setor: o transporte de cargas aéreas, onde margens são ainda mais comprimidas.

Brasil versus exterior: a conta da competitividade

Dados da IATA mostram que o QAV internacional acumulou alta superior à brasileira desde o início do conflito no Leste Europeu. A Petrobras argumenta que seu preço permanece competitivo — e a fórmula de suavização evita choques bruscos que paralisariam o planejamento das aéreas.

Por outro lado, a defasagem em relação ao mercado global cria um passivo de reajuste que, cedo ou tarde, precisa ser coberto.

O que observar daqui para frente

Três variáveis ditam o próximo capítulo: a evolução do barril de petróleo, a taxa de câmbio (o QAV é dolarizado) e a demanda por viagens no verão. Se o dólar seguir acima de R$ 5,50 e o Brent sustentar patamares acima de US$ 85, novo aumento em dezembro torna-se provável.

Para investidores e gestores de frota, o sinal é claro: hedging de combustível e negociação de contratos de longo prazo deixam de ser opção e viram necessidade. O ciclo de altas consecutivas ainda não deu sinais de exaustão.