A sétima edição da Feira Internacional de Gastronomia Amazônica (FIGA) abre as portas em 6 de novembro no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus, com a promessa de mapear o percurso completo dos ingredientes da floresta até o prato. O evento vai até 8 de novembro e estima movimentar uma cadeia produtiva que sustenta milhares de famílias no interior do estado.
O tema deste ano — “O Mercado da Culinária Cabocla” — não é apenas decorativo. Ele espelha a logística real do Mercado Adolpho Lisboa, ponto nevrálgico onde produtores ribeirinhos, feirantes e chefs negociam diariamente o futuro da alimentação regional.
Por que chefs e investidores estão de olho nessa edição
Promovida pela Abrasel-AM e realizada pela Ekco Produções, a feira funciona das 13h às 21h com uma estrutura que mistura vitrine comercial e laboratório de inovação. São aulas-show, palestras técnicas, rodada de negócios do Sebrae e uma praça de alimentação com 12 operações confirmadas.
Para o empresário do setor, o atrativo central é a rodada de negócios. O espaço conecta diretamente donos de restaurantes, hotéis e mercados a cooperativas do interior — eliminando intermediários que encarecem o tambaqui, o tucupi ou a farinha d’água em até 40%.
- Produtores rurais ganham canal direto com compradores de volume.
- Restaurateurs acessam insumos com rastreabilidade e preço de origem.
- Investidores mapeiam startups de logística fria e processamento de frutos nativos.
Segundo Franco Andrade, presidente da Abrasel no Amazonas, cada real gasto em um prato com farinha de Uarini ou pirarucu de manejo retorna como renda para comunidades que dependem da floresta em pé. “Regionalismo é cultura e é geração de renda”, resume.
A programação técnica que importa para seu negócio
A curadoria trouxe especialistas fora do circuito óbvio de “receitas”. No dia 6, às 14h, Fábio de Medeiros (Unox) abre os trabalhos falando de inteligência artificial em cozinhas profissionais — redução de desperdício, padronização e corte de custos energéticos.
Na sequência, Pedro Leite apresenta “Máquina de Vendas: do acaso ao previsível”, focado em gestão de receita recorrente para bares e restaurantes. O chef Junior Marinho fecha o primeiro bloco com aula-show de chica doida (pirarucu defumado + tucupi), prato que virou case de ticket médio alto em casas da capital.
O sábado (7) reserva painel sobre layout de cozinhas de alta performance com Bianca Valerio e Fabricio Santos — tema crítico para quem planeja expansão ou reforma. Léo Corvo assume às 15h com marketing digital aplicado a gastronomia local, e o dia termina com Saulo Jennings ensinando homus de feijão manteiguinha com chips de macaxeira, exemplo de produto amazônico com apelo exportador.
O concurso que revela a eficiência invisível da cozinha cabocla
Entre uma palestra e outra, o “Mestres do Tucumã: Quem Descaroça Mais Rápido?” chama atenção pelo inusitado. Mas a disputa mede, na prática, rendimento operacional. Descaroçar o fruto com velocidade e mínimo desperdício define a margem de lucro de dezenas de lanchonetes e fábricas de polpa no estado.
Vencer ali significa dominar uma etapa que nenhum equipamento industrial resolveu plenamente — habilidade que ainda garante emprego e renda em Manaus e no interior.
Estrutura pensada para fechar negócios, não só para visitar
Além da Arena FIGA (palco das aulas), a organização montou:
- Espaço Países — vitrine para exportação de ingredientes nativos.
- Mercado OCB/AM e FAEA/Senar — cooperativas e assistência técnica lado a lado.
- Casa de Farinha cenográfica — demonstração viva do processo que transforma mandioca em farinha d’água, biju e tapioca.
- Passaporte FIGA — gamificação que obriga o visitante a circular por 7 estandes estratégicos para ganhar brinde; na prática, garante tráfego qualificado para expositores.
Há ainda Espaço Kids (essencial para manter famílias — e potenciais clientes — por mais tempo) e área de artesanato com 18 expositores, complementando o ticket médio do visitante.
O que observar daqui para frente
A FIGA 2026 funciona como termômetro de duas tendências que devem ditar o mercado amazônico nos próximos 12 meses: a industrialização limpa de frutos nativos (polpas, farinhas, óleos com certificação de origem) e a logística de frio fluvial para levar insumos do interior à capital sem perdas.
Quem fechar parcerias na rodada do Sebrae ou mapear fornecedores no Espaço Países sai na frente na corrida por cardápios com identidade amazônica real — e margens que só a origem direta garante. O trânsito em Manaus estará pesado nos dias do evento; a organização recomenda transporte por aplicativo para otimizar o tempo de networking.
