Na madrugada desta sexta-feira (30), a maior corretora de criptomoedas do mundo sofreu o maior ataque da história do setor: US$ 6 bilhões foram drenados da Binance. O Bitcoin reagiu derrubando sucessivos suportes até tocar US$ 77,5 mil, enquanto metade dos ativos roubados já foi congelada por emissores de stablecoins.
Mas o choque cripto é apenas uma das peças que movem o tabuleiro hoje. O balanço decepcionante da Vale e a PNAD Contínua no radar completam um cenário que exige atenção redobrada.
O golpe que abalou a madrugada
Por volta das 3h (horário de Brasília), hackers exploraram uma vulnerabilidade na Binance e levaram o equivalente a US$ 6 bilhões em ativos diversos. A exchange suspendeu saques imediatamente e garantiu que cobrirá os prejuízos dos usuários.
A resposta do ecossistema foi rápida. Emissores como Tether, Circle e a World Liberty Financial — esta última ligada a Donald Trump — congelaram cerca de 50% dos fundos roubados em poucas horas. Ainda assim, o pânico vendeu Bitcoin para baixo de US$ 78 mil pela primeira vez em semanas.
Por que o Bitcoin não para de cair
- Rompimento técnico: a perda de US$ 78 mil abriu caminho para testar a região de US$ 75 mil.
- Contágio de confiança: mesmo com reembolso garantido, o maior hack da história abala a narrativa de “exchange segura”.
- Alavancagem: liquidações em massa no mercado de derivativos amplificaram o movimento.
O Ethereum acompanhou o tombo, recuando 3,5% para US$ 2,2 mil. O ouro, refúgio tradicional, também cedeu 0,75% a US$ 4 mil a onça — sinal de que o apetite por risco evaporou globalmente.
Vale decepciona e pesa no Ibovespa
Enquanto a madrugada fervilhava em cripto, a Vale (VALE3) divulgou lucro de US$ 1,25 bilhão no 3T26 — queda de 53% ano a ano, abaixo do consenso. Os ADRs caem no pré-mercado em Nova York, e a teleconferência desta manhã deve detalhar se a piora é estrutural ou pontual.
O Ibovespa já emendou quatro quedas seguidas. Ontem, o índice fechou a 169.186 pontos (-1,06%), pressionado pelo ceticismo em torno da trajetória de juros e da falta de clareza do plano econômico do novo mandato. O dólar à vista saltou 0,89%, a R$ 5,3878.
O que a PNAD pode mudar às 9h
A mediana do Broadcast aponta desemprego de 5,2% no trimestre até setembro, leve recuo frente aos 5,3% anteriores. Se confirmado, o mercado de trabalho apertado reforça a tese de Selic alta por mais tempo — exatamente o que derruba a bolsa há dias.
Lá fora, a agenda carrega PIB preliminar da zona do euro, PMIs da China às 22h30 e decisão do Banco do Japão. Os futuros de Nova York já sinalizam abertura negativa: Nasdaq -2,3%, S&P 500 -1%.
O que observar daqui pra frente
A combinação de choque de oferta em cripto, balanços fracos no minério e dados de emprego fortes no Brasil cria um fim de semana de repositioning. Três gatilhos merecem monitoramento contínuo: a eficácia do congelamento dos fundos na Binance nos próximos dias, a reação do minério de ferro à demanda chinesa (PMIs de sábado) e a curva de juros brasileira frente ao IPCA-15 de amanhã. Quem tem posição alavancada em qualquer uma dessas frentes deve rever stops ainda hoje.
