A Petrobras fechou outubro com suas refinarias operando a 98% da capacidade, mantendo o ritmo frenético do terceiro trimestre. O número impressiona, mas a verdadeira história está no que acontece quando as máquinas precisam parar.
O diretor William França confirmou à Reuters que o parque de refino segue no limite, equilibrando segurança e rentabilidade. A estratégia tem nome e sobrenome: reduzir importações de diesel e capturar o spread elevado do Brent.
O motor por trás dos números recordes
Desde o início do conflito no Oriente Médio, a estatal acelerou o processamento de petróleo próprio. O objetivo duplo era claro: produzir mais derivados valiosos e diminuir a dependência externa, especialmente do óleo diesel.
Em determinados momentos, a companhia chegou a operar acima de 100% da capacidade nominal, utilizando o que chama de “reserva técnica”. O resultado direto apareceu no balanço: as margens de derivados foram o grande destaque do terceiro trimestre.
- Fator de utilização (FUT) outubro: 98%
- Média do 3º trimestre: 99%
- Importação atual de diesel: cerca de 30% da demanda nacional
- Meta de autossuficiência: 2030
Dezembro traz mudança forçada no mix
A sazonalidade brasileira dita as regras a partir de agora. Com o fim do plantio de verão, a demanda por diesel cai. A resposta da Petrobras: virar a chave para gasolina.
França projeta importações de diesel “quase zero” em dezembro. O verão aumenta o consumo de gasolina, e as refinarias ajustam o rendimento para atender esse pico sazonal. É uma ginástica operacional que a estatal domina, mas que exige precisão cirúrgica.
O obstáculo de 2025 já tem data marcada
O cenário muda de figura no primeiro semestre do ano que vem. A Replan — maior refinaria do país — entra em parada programada combinada com obras de ampliação entre março e abril.
Dois meses de intervenção. O impacto: a utilização geral deve recuar para aproximadamente 96%. Parece pouco, mas para o histórico da companhia, ainda representa um patamar elevado. Outras unidades serão “puxadas” para compensar, porém não haverá como manter o nível atual.
O que observar daqui para frente
O novo plano de negócios, previsto para novembro, trará os investimentos necessários para tirar o Brasil da dependência de 30% de diesel importado até 2030. Até lá, a volatilidade do Brent, a sazonalidade agrícola e as paradas de manutenção ditarão o ritmo das refinarias.
Para quem acompanha o setor, o sinal é claro: a Petrobras conseguiu transformar restrição logística em vantagem financeira no curto prazo. A sustentabilidade desse modelo, porém, depende da execução do plano de expansão — e de nenhuma surpresa geopolítica pelo caminho.
