Entre 10 e 12 de novembro, Águas de São Pedro deixa de ser estância turística para virar a sala de comando do interior paulista. Gestores de 634 dos 645 municípios do estado — representando 27,4 milhões de pessoas, o dobro da capital — desembarcam no FOMENTA 2026 para decisões que alteram contratos, editais e incentivos fiscais. Quem atua fora da região metropolitana não pode ignorar o que será definido ali.
Por que este encontro mexe no seu faturamento
A Associação de Municípios de Médio e Pequeno Porte (AMPPESP) não promove apenas debates. O evento funciona como laboratório onde prefeituras alinham a aplicação de verbas estaduais e federais com a realidade local. Para o empresário, isso significa previsibilidade: licitações de saneamento, regras de ISS após a Reforma Tributária e editais de inovação tecnológica saem do papel nesses corredores.
O presidente da entidade, Adinan Ortolan, resume a escala: quase a totalidade dos municípios paulistas senta à mesma mesa com Tribunal de Contas da União, Receita Federal, Sebrae e Desenvolve SP. O resultado prático é a padronização de procedimentos que, até ontem, variavam de cidade para cidade.
A agenda que antecipa o mercado em três dias
A programação segue uma lógica de funil: do macro para o operacional. No primeiro dia, o foco é estrutural — arrecadação, financiamento, habitação e o caso da Cracolândia como estudo de gestão de crise urbana. A presença do governador Tarcísio de Freitas e do secretário Jorge Lima sinaliza anúncios de linhas de crédito e parcerias estaduais.
O segundo dia ataca as dores atuais da gestão. Temas que custam caro ao setor privado estão na pauta:
- Inteligência artificial na automação de alvarás e fiscalização;
- Reforma Tributária: transição do ISS para o IBS e impacto no caixa municipal;
- Saneamento e segurança: modelos de concessão e parcerias público-privadas (PPPs);
- Sustentabilidade fiscal e atração de investimentos verdes.
Tecnologia e Reforma: os dois eixos que travam ou liberam obras
Mas o efeito mais relevante aparece no terceiro dia. A transformação digital dos serviços públicos deixa de ser promessa para virar exigência de órgãos de controle. Prefeituras que não digitalizarem processos de licenciamento ambiental e urbanístico correm risco de sanções do TCU — e travam empreendimentos privados.
Paralelamente, a Reforma Tributária entra na fase de regulamentação municipal. Gestores da FIPE, Prodesp e Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) detalharão como as cidades devem preparar seus cadastros imobiliários e sistemas de nota fiscal para não perder receita na transição. Quem vende para o poder público ou depende de alvarás precisa dominar esse calendário.
O detalhe estratégico que ninguém comenta
Embutido na programação oficial, o FOMENTA Mulher traz Marilene Mariotoni para debater liderança feminina na gestão. Não é apenas diversidade: prefeituras com maior equidade de gênero nos cargos técnicos apresentam índices mais altos de execução orçamentária e menor taxa de rejeição de contas pelos tribunais de contas. Para fornecedores, são portas de entrada mais técnicas e menos políticas.
Outro ponto prático: inscrições gratuitas pelo Sympla, mas a hospedagem em Águas de São Pedro exige reserva antecipada. A logística do evento concentra decisores em um único hotel — o networking informal nos corredores costuma valer mais que as palestras.
O que observar daqui para frente
O término do FOMENTA 2026 costuma disparar uma onda de decretos municipais nas duas semanas seguintes. Acompanhe os diários oficiais das 634 cidades participantes: novos editais de PPP, atualizações no plano diretor e regulamentos de IA na administração pública costumam ser publicados em bloco. Para investidores, a janela entre 13 e 30 de novembro é o momento de mapear oportunidades antes dos concorrentes.
