O corpo de Damácio Moraes, 40 anos, foi localizado na madrugada desta sexta-feira (30) sob as arquibancadas do estádio de futebol da Aldeia Porto Lindo, em Japorã (MS), a 453 km de Campo Grande. A vítima apresentava lesões na cabeça e no pescoço, e a Polícia Civil trata o caso como homicídio. Até o fechamento do boletim de ocorrência, não havia testemunhas presenciais nem registro de câmeras no local.
Investigação em curso e ausência de respostas imediatas
Peritos e o delegado titular do município estiveram na cena do crime por volta das 2h53. O corpo foi encaminhado ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL) de Naviraí para exame necroscópico. Em nota, a Polícia Civil informou que não há elementos conclusivos sobre autoria, motivação ou dinâmica dos fatos. A hipótese de um desentendimento interno à comunidade foi mencionada, mas segue sem confirmação.
Contexto de tensão crescente na região
A morte ocorre em meio a uma escalada de denúncias de violência contra povos indígenas no sul do estado. Após o segundo turno das eleições presidenciais de 2022, lideranças Guarani Kaiowá relataram intimidações e ataques. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) acionou órgãos federais cobrando investigação e proteção às comunidades.
Caso de ameaça de envenenamento mobilizou autoridades federais
Entre os episódios mais graves, áudios atribuídos a um servidor da Prefeitura de Tacuru circularam em grupos de WhatsApp sugerindo a contaminação da água da Aldeia Sassoró como retaliação política. O funcionário foi afastado e responde a Processo Administrativo Disciplinar. A Polícia Federal foi acionada pelo Ministério dos Povos Indígenas, e o Ministério Público Federal abriu procedimento cobrando explicações da prefeitura sobre a autenticidade do material e medidas de proteção. Não há confirmação de que a água tenha sido efetivamente contaminada.
Terra Indígena Porto Lindo: dados e histórico
A aldeia onde o corpo foi encontrado integra a Terra Indígena Porto Lindo, homologada em 1991 e habitada pelo povo Guarani Ñandeva. Segundo dados do Instituto Socioambiental (ISA) baseados no Censo 2022 do IBGE, a área contava com 3.716 moradores. O território fica no município de Japorã, na faixa de fronteira com o Paraguai, região historicamente marcada por conflitos fundiários e pressão sobre terras demarcadas.
O que observar nos próximos dias
O laudo necroscópico deve esclarecer a causa da morte e subsidiar as linhas de investigação. Paralelamente, seguem os inquéritos federais sobre as ameaças coletivas — incluindo o caso da suposta contaminação de água — que envolvem possíveis crimes de racismo, ameaça e atentado contra a saúde pública. A resposta das instituições a esses casos será indicativo da capacidade do Estado de garantir segurança a populações indígenas em contextos de alta vulnerabilidade social e política.
