O Conselho Curador do FGTS travou o orçamento habitacional de 2027 em R$ 144,5 bilhões, repetindo o valor deste ano. A estabilidade esconde, porém, uma redução programada para a classe média a partir de 2028.
A decisão foi tomada nesta quinta-feira (29) e mantém o foco no público de menor renda. Mas os números do plano plurianual revelam uma mudança de rota que atinge diretamente quem ganha acima da faixa de subsídios.
Como o dinheiro será dividido no próximo ano
Do total destinado à habitação, a fatia majoritária segue para as famílias de baixa renda. A classe média e a linha pró-cotista recebem porções menores, com regras específicas de sobreposição.
- R$ 125,5 bilhões para financiamento de baixa renda;
- R$ 15 bilhões para a classe média no Minha Casa, Minha Vida;
- R$ 13 bilhões em subsídios diretos às famílias mais pobres;
- R$ 4 bilhões para a linha pró-cotista (juros reduzidos para quem tem conta no FGTS).
Os valores de subsídios e pró-cotista não são somados às duas primeiras categorias, pois compõem a mesma origem de recursos.
O orçamento total e as outras frentes
Além da moradia, o FGTS bancará saneamento, infraestrutura urbana e saúde em 2027. O bolo total aprovado chega a R$ 169 bilhões.
A habitação abocanha 85% desse montante. O restante se distribui em R$ 8 bilhões para saneamento, R$ 8 bilhões para infraestrutura urbana e R$ 8,5 bilhões para saúde.
O alerta para 2028: classe média perde R$ 5 bi por ano
O plano plurianual (2028-2030) mantém os R$ 125,5 bilhões anuais para a baixa renda. Contudo, o teto para a classe média no Minha Casa, Minha Vida cai para R$ 10 bilhões ao ano.
Isso representa um corte de R$ 5 bilhões anuais em relação a 2027. O orçamento total do Fundo para políticas públicas também encolhe: projeta-se R$ 163,7 bilhões por ano até 2030.
Saque-aniversário: transição estendida e novas regras
Na mesma reunião, o colegiado prorrogou até 31 de março a regra que permite usar até cinco saques futuros como garantia de empréstimo. A medida alivia a transição para a norma publicada em outubro de 2025.
A partir de 1º de novembro de 2026, o limite cai para três saques-aniversário vinculados a crédito. Valores por saque ficam entre R$ 100 e R$ 500.
O impacto real no bolso de 12,2 milhões de trabalhadores
Segundo o Ministério do Trabalho, a mudança atinge 12,2 milhões de pessoas. Desse universo, 92% recebem até quatro salários mínimos.
Desde a criação da modalidade, circularam R$ 242,5 bilhões. Desses, R$ 94,2 bilhões foram sacados pelos trabalhadores e R$ 148,3 bilhões foram direto para bancos quitarem empréstimos garantidos pelo fundo.
Por que o orçamento vai encolher nos próximos anos
O ministério cita dois vetores principais: saques especiais (incluindo resíduos de contas de demitidos que aderiram ao saque-aniversário) e empréstimos voltados à área de saúde.
Vale lembrar: esses recursos vêm do lucro anual do FGTS, separados das contas individuais dos cotistas.
O que observar daqui para frente
A manutenção do teto para 2027 dá previsibilidade ao setor da construção civil no curto prazo. O ponto de atenção está na execução dos R$ 10 bilhões anuais para a classe média a partir de 2028: se a demanda superar a verba, o acesso ao crédito pode ficar mais restritivo justamente quando a regra do saque-aniversário estiver mais dura. Acompanhar a liberação dos subsídios e a adesão às novas linhas de crédito será decisivo para medir o fôlego do mercado imobiliário popular.
