Cultura

Ancelotti aposta em desconhecidos: quem são os brasileiros do Shakhtar que surpreenderam na lista

Carlo Ancelotti sorri ao lado de jogadores brasileiros do Shakhtar Donetsk em treino da Seleção
Ancelotti aposta em revelações do Shakhtar para novos amistosos da Seleção Brasileira.

Carlo Ancelotti convocou seis jogadores sem nenhum minuto pela Seleção principal para os amistosos de novembro. Dois deles atuam no mesmo clube ucraniano e carregam números que justificam a aposta do italiano.

A lista para enfrentar Japão e Singapura traz goleiro, zagueiro, volante e meia que já rodam no Brasileirão ou na Premier League. Mas são os nomes “invisíveis” do Shakhtar Donetsk que escondem o perfil tático que o técnico busca para o novo ciclo.

O meio-campista que resolve o problema da posse

Marlon Gomes, 22 anos, formado no Vasco, não é novidade nas categorias de base — esteve no grupo que classificou o Brasil para Paris-2024. No terceiro ano na Ucrânia, o camisa 6 entrega precisão cirúrgica: 88% de acerto no passe.

O dado ganha peso quando se observa o perfil das jogadas. Ele não recua a bola; é o terceiro atleta do elenco que mais cria chances de finalização por partida (1,4). Versatilidade é o trunfo extra: já atuou como primeiro volante, meia central e camisa 10.

Para um sistema que prioriza controle territorial, a capacidade de transitar entre funções sem perder qualidade na saída de bola torna Marlon peça de encaixe imediato em múltiplos desenhos táticos.

O ponta que queima linhas pelo lado direito

Alisson Santana tem 21 anos, menos de 100 jogos como profissional e divide a posição com Allan, Estêvão e Rayan. A diferença está no um contra um.

Na Premier League ucraniana, o ex-Atlético-MG soma 36 dribles certos — terceira melhor marca da competição. Alto e forte para a função, acumula 15 gols e 22 assistências em 50 partidas pelo Shakhtar, três passes decisivos já na Champions League desta edição.

O detalhe: atua quase exclusivamente aberto pela direita. A canhota no pé “errado” facilita o corte para dentro e o chute, arma que Ancelotti pode explorar contra defesas baixas.

  • Marlon Gomes: 88% passe certo | 1,4 chances criadas/jogo | 22 anos
  • Alisson Santana: 36 dribles certos (3º liga) | 15 gols + 22 assist. em 50 jogos | 21 anos

O que está em jogo na Data Fifa de novembro

Os amistosos contra Japão (dia 14) e Singapura (dia 18) fecham o ano e representam a segunda janela do ciclo rumo à Copa de 2030. Na primeira, em setembro/outubro, o Brasil venceu a Austrália (4 a 2), empatou o reencontro (1 a 1) e goleou a Índia (4 a 0).

Eliminatórias sul-americanas ainda não têm calendário definido; a expectativa é início no segundo semestre de 2027. O Mundial de 2030 será histórico — centenário da competição — com sedes divididas entre Argentina, Paraguai, Uruguai, Portugal, Espanha e Marrocos.

Por que observar esses dois nomes daqui para frente

Ancelotti usa a janela para testar profundidade de elenco e alternativas táticas sem a pressão de pontos. Marlon oferece controle e variações de posicionamento no meio; Alisson traz desequilíbrio individual na largura.

Se ambos renderem o que mostram na Ucrânia, o técnico ganha opções que fogem do perfil “mais do mesmo” — e o torcedor passa a ter motivos reais para acompanhar o Shakhtar Donetsk nas noites de terça-feira pela Champions.