Economia

Nubank (ROXO34): Itaú BBA corta alvo para US$ 15 e alerta: ação ainda não está barata

Logotipo roxo do Nubank ao lado de gráfico de ações em queda com meta de US$ 15 do Itaú BBA
Itaú BBA reduz preço-alvo do Nubank para US$ 15 e mantém visão cautelosa sobre valuation

O Itaú BBA reduziu o preço-alvo das ações do Nubank (NU) negociadas nos EUA de US$ 18 para US$ 15 para o fim de 2027. Mesmo com a correção recente dos papéis, os analistas afirmam que o valuation atual não compensa os riscos de crédito e crescimento que pairam sobre a fintech.

A nova estimativa ainda embute uma alta potencial de 25% frente ao último fechamento. No entanto, o papel negocia a 13,5 vezes o lucro projetado para 2027 — múltiplo considerado exigente diante das incertezas.

Por que o “desconto” não convence os analistas

O corte no preço-alvo reflete uma visão mais conservadora sobre a geração de resultados. O Itaú BBA baixou suas estimativas de lucro em 4% adicionais, colocando as projeções 19% abaixo do consenso de mercado para 2027 e 22% abaixo para 2028.

A divergência nasce de três pilares de risco que podem frustrar as expectativas já no terceiro trimestre:

  • Pressão sobre a margem financeira ajustada pelo risco;
  • Possível aceleração da inadimplência;
  • Desaceleração das receitas com juros.

Enquanto a visibilidade não melhora, a recomendação permanece na defensiva: esperar para ver.

O fantasma do crédito podre assombra o roxinho

O cenário macroeconômico brasileiro é a maior fonte de preocupação. Orçamentos familiares apertados, inflação resistente e a perspectiva de desemprego em alta formam a tempestade perfeita para a qualidade dos ativos.

Os sinais já apareceram nos balanços dos grandes bancos. Bradesco e Santander Brasil registraram alta na inadimplência de pessoas físicas no 3T26, mesmo após endurecerem critérios de concessão. Para o Nubank, exposto a cartões de crédito e empréstimos pessoais sem garantia, a vulnerabilidade é estrutural.

Produtos unsecured são os primeiros a sentir quando o consumidor perde capacidade de pagamento. O resultado direto: maiores perdas com calotes (PDD) e compressão de rentabilidade.

Regulação pode apertar ainda mais o cinto

Além do ciclo de crédito, o Banco Central prepara medidas macroprudenciais que podem limitar ofertas a clientes de maior risco e elevar exigências de transparência sobre endividamento. Novas regras de capital e avaliação de capacidade de pagamento (CAP) tendem a encarecer a originação e reduzir o apetite por expansão agressiva.

Crescimento vai tirar o pé do acelerador

Diante desse cenário, o Itaú BBA projeta que a carteira de crédito do Nubank cresça 26% em 2027, uma desaceleração brusca frente aos 37% atuais. A operação no México, embora promissora, ainda tem peso pequeno no consolidado e não compensa a freada no Brasil.

Outros vetores de pressão:

  • Margem financeira: migração para clientes de renda mais alta e fim do benefício de custo de funding barato no México limitam o avanço;
  • Custo do risco: não há expectativa de queda relevante dado o macro;
  • Despesas operacionais: investimentos na expansão internacional e no segmento de renda média no Brasil devem pressionar o índice de eficiência.

O que observar daqui para frente

Os analistas não descartam o potencial de longo prazo da plataforma, mas condicionam uma visão mais construtiva a sinais claros de estabilização da inadimplência e execução consistente no México. Os próximos dois balanços trimestrais serão decisivos para calibrar se o desconto atual vira oportunidade ou se há espaço para novas revisões negativas. Até lá, a assimetria risco-retorno segue desfavorável para quem busca entrada imediata.