O fisiculturista paulista Rafael Brandão confirmou nesta terça-feira (27) a mudança da categoria Men’s Open para a Classic Physique, decisão que exige a perda de mais de 15 quilos e reposiciona sua carreira rumo a um novo ciclo competitivo. O anúncio veio por vídeo no canal oficial do atleta no YouTube, onde ele argumenta que a nova divisão permite explorar “potencial máximo” em simetria, proporção e condicionamento. A jogada estratégica ocorre após um 2024 de resultados inconsistentes no cenário profissional.
Os números por trás da troca de categoria
A Classic Physique impõe tetos de peso atrelados à altura do competidor. Com 1,80 m, Brandão se encaixa na faixa de até 180,3 cm, o que fixa o limite em 99,3 kg — contra os 115 kg que costumava apresentar no Open. Caso ultrapasse a marca de 180,3 cm na aferição oficial, o teto sobe para 103 kg, ainda assim bem abaixo de seu histórico recente.
- Altura declarada: ~1,80 m
- Peso no Open (últimas temporadas): ~115 kg
- Limite Classic (até 180,3 cm): 99,3 kg
- Limite Classic (até 182,9 cm): 103 kg
- Redução mínima necessária: 15+ kg
Essa diferença não é apenas numérica. Exige reestruturação completa de dieta, protocolo de treino, uso de ergogênicos e cronograma de peak week — tudo sob supervisão do preparador Marcelo Alfonsi.
Por que a decisão veio agora
O gatilho imediato foi o sexto lugar no Pittsburgh Pro, em maio. Brandão foi superado por quatro atletas que já havia derrotado em encontros anteriores: Michal Križo, Tonio Burton, Brandon Curry e Blessing Awodibu. O resultado expôs a dificuldade de acompanhar o gigantismo e a densidade muscular que dominam o Open atual.
Dias depois, o atleta anunciou uma pausa para “off-season bem feito” com promessa de retorno com “conjunto novo e maior”. A migração para o Classic revela que o “novo conjunto” não seria apenas maior, mas fundamentalmente diferente — mais leve, mais estético, mais alinhado aos critérios de harmonia que a IFBB prioriza nessa divisão.
O cenário competitivo que o espera
A Classic Physique hoje reúne nomes como Ramon Dino, Niall Darwen, Mike Sommerfeld e Ruff Diesel. É uma categoria em expansão comercial, com forte apelo de mídia e público, onde a estética clássica — linhas fluidas, cintura fina, separação muscular nítida — pesa mais que o volume absoluto.
Brandão já possui atributos elogiados por juízes: inserções favoráveis, boa estrutura óssea e condicionamento acima da média. Se conseguir manter densidade muscular ao descer para 99 kg, entra como ameaça real ao top 6 mundial já na temporada 2025.
Riscos e variáveis da transição
Perder 15 kg sem sacrificar tecido muscular magro é o maior desafio fisiológico. A janela para isso é curta: o calendário IFBB 2025 começa em janeiro, e o atleta precisará estar pronto para o Arnold Classic Ohio ou o New York Pro — provas onde já obteve top 3 e top 6 respectivamente este ano.
Outro ponto sensível é a aferição de altura. Se a medição oficial registrar 180,4 cm, o limite sobe para 103 kg, aliviando marginalmente a dieta. Mas a estratégia deve ser traçada para o cenário mais restritivo (99,3 kg), evitando surpresas no backstage.
O que observar nos próximos meses
Três indicadores dirão se a aposta faz sentido competitivo: a evolução do shape nas redes sociais (especialmente cintura e separação de quadríceps), a confirmação do calendário de estreias no Classic e a resposta do corpo à nova faixa de peso nos treinos pesados. O mercado de suplementação e vestuário fitness já monitora a mudança — atletas que migram com sucesso costumam atrair contratos de maior visibilidade na divisão estética.
Se Brandão chegar ao palco com 99 kg, condicionamento de Open e a harmonia que promete, a Classic Physique ganha um contendendor legítimo ao título. Caso o corte comprometa a plenitude muscular, o retorno ao Open deixará de ser opção viável. O próximo Arnold Classic será o teste decisivo.
