Internacional

O cartoon que expõe o jogo de bastidores entre Flávio, Trump e Rubio — e o que isso sinaliza para 2026

Charge mostra Flávio Bolsonaro, Trump e Rubio à mesa, simbolizando aliança Brasil-EUA
Charge de Cláudio de Oliveira na Folha expõe reunião simbólica entre Flávio Bolsonaro, Trump e Rubio.

Um desenho publicado na Folha coloca Flávio Bolsonaro, Donald Trump e Marco Rubio na mesma mesa. A imagem não é apenas sátira: ela escancara uma articulação que já move peças reais nos bastidores de Brasília e Washington.

O traço de Cláudio de Oliveira sintetiza em poucos centímetros o que relatórios diplomáticos levam páginas para explicar. Mas o que está por trás da charge pode definir rumos de investimentos, acordos comerciais e até a sucessão presidencial brasileira.

Por que esse encontro não é ficção

Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, tem histórico de aproximação com a direita latino-americana. Flávio Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente, mantém canais diretos com o círculo de Trump. A charge ilustra uma convergência que já ocorre em reuniões fechadas, viagens a Mar-a-Lago e trocas de mensagens criptografadas.

Dados recentes mostram que o comércio bilateral Brasil-EUA superou US$ 80 bilhões em 2024. Setores como defesa, energia e agronegócio concentram as negociações mais sensíveis — justamente onde a influência política pesa mais que critérios técnicos.

O que o cartoon não diz, mas o mercado já precifica

  • Acordos de defesa: negociações de aeronaves e sistemas de mísseis avançam sob sigilo
  • Energia nuclear: memorandos para reatores de pequeno porte (SMRs) ganharam impulso
  • Agronegócio: barreiras sanitárias flexibilizadas em troca de abertura a techs americanas

Esses movimentos não dependem de quem ocupa o Planalto em 2027. Eles avançam agora, sustentados por redes que o desenho expõe com ironia.

O fator Rubio: mais que um nome no gabinete

Rubio não é um secretário de Estado convencional. Senador por Flórida, construiu carreira sobre política externa para as Américas. Seu staff inclui ex-assessores de Jair Bolsonaro. A conexão não é coincidência — é arquitetura.

Em audiências no Senado americano, Rubio defendeu “parcerias estratégicas com governos alinhados na região”. A frase, genérica na superfície, tem endereço certo quando cruzada com a agenda de viagens de Flávio Bolsonaro aos EUA nos últimos 18 meses.

Cenários para quem decide capital

Três variáveis merecem monitoramento contínuo:

  1. Regras de conteúdo local em licitações de defesa — podem mudar por decreto
  2. Tratamento tributário a fundos americanos em infraestrutura verde
  3. Regulação de dados e nuvem: pressão por equivalência ao Cloud Act dos EUA

Nenhuma depende de eleição. Todas dependem de alinhamento político — o mesmo que a charge coloca na mesa de negociação.

O que observar daqui para frente

Agenda de Rubio na América Latina no primeiro semestre de 2025. Viagens de parlamentares brasileiros à Flórida. Editais de defesa com cláusulas de transferência de tecnologia. E, sobretudo, a linguagem dos comunicados conjuntos: quando “valores compartilhados” substitui “interesses mútuos”, a margem de negociação técnica encolhe.

O cartoon é humor. A estrutura que ele revela, não.