Economia

Advent captura US$ 30 bi e vira refúgio no inverno do private equity

Executivos da Advent International celebram captação recorde de US$ 30 bilhões em private equity
Advent International fecha maior fundo de buyout de 2026 com US$ 30 bilhões captados em ambiente adverso.

A Advent International fechou a captação de US$ 30 bilhões em dois veículos globais, consolidando o maior fundo de buyout finalizado em 2026 até o momento. O feito ganha contornos excepcionais quando se considera o cenário: um dos ambientes mais hostis para levantamento de capital dos últimos anos.

O carro-chefe, GPE XI, reuniu US$ 27 bilhões — superando a meta inicial de US$ 26 bi. Outros US$ 3 bilhões foram direcionados ao inédito Advent Mid-Market Private Equity, focado em empresas de menor porte. A pergunta que fica é: por que investidores institucionais travaram cheques bilionários nesta gestora enquanto o mercado travava?

A resposta está no histórico de devolução

Não foi promessa de retorno futuro que convenceu os Limited Partners (LPs). Foi o cheque no banco. Somente em 2026, a Advent já realizou desinvestimentos de aproximadamente US$ 13 bilhões em 27 empresas, um dos maiores volumes anuais de sua história.

No mesmo período, a gestora colocou cerca de US$ 10 bilhões em 38 novos ativos e follow-ons. Essa rotação acelerada — vender caro e comprar com disciplina — sinaliza ao mercado que a máquina de geração de liquidez segue a todo vapor, mesmo com juros altos e janelas de IPO fechadas.

O novo tabuleiro: dois fundos, estratégias distintas

A estrutura bicéfala permite à Advent jogar em duas mesas simultâneas sem conflitos de alocação. Veja como se dividem os mandatos:

  • GPE XI (US$ 27 bi): Foco em grandes buyouts globais (Europa, América do Norte, Ásia-Pacífico e América Latina). Tickets flexíveis, apetite por complexidade: carve-outs corporativos e public-to-private.
  • Mid-Market Fund (US$ 3 bi): Estreante dedicado a aquisições de controle e capital de crescimento. Equity checks entre US$ 100 milhões e US$ 350 milhões. Valor de empresa (EV) alvo: até US$ 1,25 bilhão. Foco geográfico: América do Norte e Europa.

Ambos compartilham a mesma plataforma operacional de mais de 290 profissionais de investimento distribuídos em cinco verticais: serviços financeiros, consumo, saúde, industrial e tecnologia.

América Latina: poder de fogo ampliado

Para o mercado brasileiro, a notícia muda a régua do possível. Juan Pablo Zucchini, head de Private Equity para a região, explica que a existência do fundo global elimina o teto de tamanho para deals locais.

A Advent já gere um fundo dedicado à América Latina de US$ 2 bilhões, em estágio avançado de investimento. Agora, oportunidades de grande porte — acima da capacidade do veículo regional — podem acessar o balanço global. O estatuto permite até 20% do capital em mercados emergentes, incluindo o Brasil.

Movimentos recentes mostram o apetite: Natura, SkyOne, Inspira e Skala entraram no portfólio nos últimos ciclos. Setores como consumo, tecnologia, varejo, saúde e serviços financeiros seguem no radar para ambas as estratégias.

Expansão geográfica e escala atual

A captação financia também a expansão física. Desde 2024, a gestora inaugurou escritórios na Austrália, Japão e Emirados Árabes. No início de 2026, Hong Kong virou hub oficial para relacionamento com investidores da Ásia-Pacífico.

Hoje, a plataforma conta com 18 escritórios, US$ 109 bilhões em ativos sob gestão e 460 investimentos ativos em 45 países (dados de junho de 2026).

O que observar daqui para frente

A combinação de caixa recorde com pipeline de saída robusto coloca a Advent em posição única para ditar o ritmo do mercado nos próximos 18 meses. Dois vetores merecem atenção redobrada:

  • Execução do Mid-Market: A estreia em segmento menor exige origem proprietária e gestão operacional mais intensa; o sucesso validará a tese de diversificação.
  • Deals “jumbo” na LatAm: Com o fundo global liberado para até 20% em emergentes, a gestora tem munição para liderar ou ancorar as maiores transações de controle da região, especialmente em carve-outs de grandes conglomerados.

Para quem aloca ou assessora capital, o case Advent 2026 reforça uma tese antiga: em ciclos de alta incerteza, LPs migram para gestoras com histórico comprovado de devolver dinheiro. A captação bilionária não é o fim da história — é o combustível para o próximo ciclo de aquisições.