A Shopee acaba de confirmar um salto de 60% na capacidade de processamento de pedidos no Brasil em apenas doze meses. A plataforma inaugurou quatro novos centros de distribuição e triplicou a estrutura de Piracicaba, adicionando 2,4 milhões de pedidos por dia à operação. Mas a logística é apenas a ponta do iceberg: a empresa também prepara o terreno para entrar no mercado farmacêutico assim que a Anvisa liberar as regras finais.
O movimento sinaliza uma disputa acirrada pelo consumidor brasileiro no fim de ano. Entenda como a expansão física, os investimentos em cupons e a espera regulatória se conectam.
De 16 para 30 centros: a geografia da expansão
As novas unidades entraram em operação em Recife, Rio de Janeiro, Vitória e Blumenau (SC). Somadas à ampliação do complexo de Piracicaba (SP), elas elevam o total de centros de distribuição para 30 — quase o dobro dos 16 registrados um ano atrás.
A malha atual se divide em dois modelos:
- 25 centros “cross-docking”: fluxo rápido, sem estocagem de longa duração.
- 5 centros “fulfillment”: armazenam estoque de vendedores parceiros.
Essa capilaridade permite que a plataforma reduza prazos de entrega e absorva picos de demanda, como o 11/11 e a Black Friday.
O dinheiro por trás das promoções de fim de ano
A empresa não revela a capacidade total em volume de produtos, mas deu uma pista do tamanho da aposta: no 11/11 do ano passado, foram mais de 20 milhões de itens vendidos em 24 horas — número superior à Black Friday.
Para 2024, os valores destinados a cupons de desconto já estão definidos:
- R$ 25 milhões para o 11/11 (ante R$ 20 milhões em 2023).
- R$ 23 milhões para a Black Friday (ante R$ 16 milhões no ano anterior).
“Estamos muito focados em crescer nossa capacidade agora para atender esse aumento expressivo de demanda do final do ano”, afirmou Tiago Freddi, diretor de logística e estratégia.
O gargalo regulatório dos medicamentos
Enquanto a logística avança, a entrada na venda de remédios travou. Uma lei sancionada em 2024 autorizou marketplaces a comercializarem medicamentos, porém a Anvisa ainda não publicou a regulamentação técnica exigida.
O Mercado Livre saiu na frente e já opera com farmácia própria e terceiros. A Shopee, que não possui varejo próprio (modelo 1P), depende exclusivamente de redes parceiras — hoje já são mais de 40 vendendo cosméticos na plataforma.
Segundo Felipe Lima, diretor de desenvolvimento de negócios e fulfillment, a empresa “precisa ter mais clareza quanto a essa legislação antes de fazer algum movimento”. O entendimento interno é de que a entrega deverá sair direto da farmácia para o consumidor, sem passar por centros de distribuição da Shopee.
Entrega em 4 horas como diferencial competitivo
É aí que entra o Shopee Turbo, lançado em agosto na capital paulista com promessa de entrega em até quatro horas. A operação foi desenhada justamente para categorias de alta urgência — e medicamentos se encaixam perfeitamente nesse perfil.
Se a Anvisa publicar as normas ainda este ano, a infraestrutura já está pronta para ativar a categoria quase que imediatamente nas regiões cobertas pelo Turbo.
O que observar nos próximos meses
Três variáveis vão ditar o ritmo da Shopee no curto prazo: a velocidade de ramp-up dos 14 novos centros, a publicação da resolução da Anvisa sobre medicamentos e a adesão dos vendedores às campanhas de 11/11 e Black Friday. Para quem vende ou investe no ecossistema, o sinal é claro: a briga pela “última milha” e pelo carrinho de farmácia só deve se intensificar.
