Educação

Zucco monta “time dos sonhos” no RS: generals, CEO do agro e guru do IdeB assumem o comando

Luciano Zucco anuncia secretariado no Instituto Caldeira com Silvana Covatti e Leonardo Pascoal
Governador eleito Zucco apresenta seus cinco pilares de gestão no Instituto Caldeira, em Porto Alegre.

O governador eleito Luciano Zucco (PL) revelou nesta terça-feira (27) os cinco pilares de sua gestão a partir de 2027, numa jogada que mistura expertise técnica de ponta com lealdade política cirúrgica. O anúncio, feito no Instituto Caldeira em Porto Alegre, desenha um governo que promete gestão privada no setor público — e deixa o mercado atento aos sinais.

A vice-governadora eleita Silvana Covatti (PP) e o coordenador da transição Leonardo Pascoal acompanharam a apresentação. Mas foram os currículos dos escolhidos que roubaram a cena: um general com experiência em intervenção federal no Rio, o ex-presidente da John Deere no Brasil e o secretário que levou o Paraná ao topo do IdeB nacional.

Casa Civil: o “homem de dentro” que conhece cada engrenagem

Leandro Sonne não é novato. Servidor de carreira com 20 anos de Casa Civil, entrou como estagiário em 2003 e saiu subchefe legislativo em 2017. Foi assessor e chefe de gabinete de Zucco na Assembleia (2019-2023) e hoje coordena a bancada do Republicanos.

Perfil: operador político de confiança absoluta. Missão: fazer a máquina andar e blindar o governador no Legislativo. Não espere inovação radical aqui — espere eficiência burocrática.

Agricultura: o sinal mais forte para o PIB gaúcho

Paulo Herrmann, 40 anos de agronegócio, ex-CEO da John Deere Brasil (2012-2022) e hoje à frente da PH Advisory Group. Doutor Honoris Causa pela UFLA (2021). Passou pela Fiergs modernizando a gestão da entidade industrial.

O recado é claro: o agro será tratado como business global, não como pastoril. Herrmann traz rede internacional, visão de cadeia e linguagem de conselho de administração. Para investidores, é a nomeação mais relevante do pacote.

Educação: o “efeito Paraná” chega ao Sul

Roni Miranda Vieira carrega um trunfo inegável: sob sua gestão, o Paraná liderou o IdeB 2025 nas três etapas da educação básica. Expandiu escolas de tempo integral de 73 para 483. Matrículas em cursos técnicos saltaram para 137 mil em 2026.

Professor de carreira, 20 anos de rede pública. Formado em História. A aposta é replicar o modelo paranaense: gestão por resultados, expansão do ensino profissionalizante e foco em alfabetização na idade certa. Se funcionar, o RS pode virar case nacional.

Cultura e Segurança: identidade e mão de ferro

Liliana Cardoso traz o peso da tradição: secretária de Cultura de Porto Alegre desde 2024, patrona dos Festejos Farroupilhas 2023, tricampeã do Prêmio Vitor Mateus Teixeira, 40 fonografias gravadas. Radialista, declamadora, gestora de eventos. A pasta ganha viés identitário forte — e execução de quem vive o palco.

Mauro Sinott, general da reserva, comandou a Força de Pacificação da Maré (RJ), foi secretário-executivo da Intervenção Federal na Segurança do Rio (2018) e liderou o Comando Antiterrorismo nos Jogos Olímpicos (2016). Experiência no Haiti, Colômbia, Portugal, Espanha. Em Santa Maria, chefiou a 3ª Divisão de Exército e a 6ª Brigada Blindada.

O adjunto será o coronel Mário Ikeda, atual secretário da Segurança na gestão Eduardo Leite (PSD). Continuidade operacional garantida.

O que este xadrez revela sobre 2027

  • Gestão por resultados: três dos cinco nomes (Herrmann, Vieira, Sinott) têm métricas duras de sucesso anterior.
  • Ponte PP-PL: Covatti (PP) ao lado de Zucco (PL) na mesa sinaliza aliança estável na base.
  • Técnicos no comando, políticos na articulação: Sonne faz a política; o resto entrega números.
  • Segurança como prioridade visível: general + coronel da casa = continuidade tática com upgrade estratégico.

Faltam pastas-chave: Fazenda, Saúde, Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico. O mercado espera nomes com perfil semelhante — gestores com P&L no currículo, não apenas vereadores em fim de mandato.

O que observar nas próximas semanas

A transição começa agora. O primeiro teste será a montagem do orçamento 2027: se Herrmann e o futuro secretário da Fazenda alinharem discurso, o agro terá previsibilidade. Na educação, o desafio é escalar o modelo Paraná numa rede maior e mais desigual. Na segurança, a integração com forças municipais e federais ditará o ritmo.

Para o empresário gaúcho, a leitura é direta: o governo nasce com viés executivo forte. A execução, no entanto, só se prova no dia a dia. Mantenha o radar ligado nos próximos anúncios — especialmente Fazenda e Saúde. Eles dirão se o “time dos sonhos” joga junto ou se é apenas uma escalação de impacto midiático.