Economia

Porsche lucra € 387 mi, ignora EUA e aposta no Macan a combustão para 2028

Porsche Macan a combustão 2028 estratégia lucro 387 milhões euros
Porsche aposta no Macan a combustão até 2028 após lucro de € 387 mi no 3º tri

A Porsche voltou ao azul no terceiro trimestre com lucro operacional de 387 milhões de euros, virando o prejuízo de quase 1 bilhão de euros de um ano atrás. O mercado recompensou a virada: as ações subiram mais de 2% na sessão seguinte. Mas a notícia que realmente importa para quem acompanha a indústria está no que a montadora recusou a fazer.

Enquanto a controladora Volkswagen fecha acordo bilionário com o governo Trump para uma nova fábrica da Audi na Geórgia, a Porsche bateu o martelo: não vai produzir nos Estados Unidos. A decisão surpreende quem apostava em uma migração natural do Cayenne para a linha de montagem americana.

Por que a Porsche disse “não” à fábrica nos EUA

O diretor financeiro Jochen Breckner foi direto: os volumes da marca não justificam a complexidade extra. “Ainda teríamos que exportar motores e outros componentes. Teríamos investimentos duplicados em fornecedores”, explicou. Em resumo: a conta não fecha para uma fabricante que entregou 178,5 mil unidades nos nove primeiros meses do ano — queda de 16% frente a 2023.

A receita trimestral caiu 7,5%, para 8 bilhões de euros, puxada pela retração na China, na Alemanha e no resto da Europa. O mercado chinês, antes motor de crescimento, virou o principal ponto de atenção.

O cálculo das tarifas e a aposta no “status quo”

Breckner não espera alívio nas tarifas americanas, hoje em 15%. “Estamos baseando nosso modelo de negócios na premissa de que as tarifas de 15% permanecerão em vigor”, afirmou. A estratégia da VW — prometer investimentos pesados nos EUA em troca de tarifas menores — ainda não garantiu benefícios para o grupo como um todo.

Enquanto isso, o CEO da Audi, Gernot Döllner, apareceu em comício de Trump para anunciar os US$ 4 bilhões na Geórgia. O gesto gerou críticas internas dos sindicatos alemães, que viram posicionamento político arriscado. Döllner admitiu em memorando: “Reconhecemos que o anúncio foi interpretado como sinalização política. Levamos isso muito a sério.”

O plano de recuperação: Macan a combustão e preços mais altos

Sob o novo CEO Michael Leiters, a Porsche traçou dois pilares para voltar a crescer:

  • Novo Macan a combustão previsto para 2028 — o modelo mais vendido da marca ganhará versão não-elétrica para atender demanda que não migrou para o elétrico;
  • Elevação de preços nos modelos de luxo — foco em margem, não em volume.

Há sinais iniciais de que a reestruturação — que inclui corte de 9.000 postos e venda de ativos não essenciais — está funcionando. A margem de fluxo de caixa livre da divisão automotiva dobrou para 11,3%.

O alerta que vem da Mercedes-Benz

No mesmo dia, a Mercedes cortou sua projeção anual citando “ambiente de mercado cada vez mais desafiador na China”. A margem operacional ajustada esperada caiu de 3–5% para 2–3%. As ações caíram 5%. O recado é claro: a crise chinesa atinge todo o premium alemão, e a Porsche não é imune.

O que observar daqui para frente

Três variáveis vão ditar o próximo trimestre da Porsche: a velocidade de recuperação na China, a aceitação do Macan a combustão quando chegar ao mercado e a manutenção das tarifas americanas em 15%. A empresa avisou: a recuperação levará tempo. Para investidores, o teste real não é o lucro de um trimestre — é a consistência da margem acima de dois dígitos nos próximos quatro.