Economia

Prazo do Simples acaba sexta: escolha errada pode custar caro em 2027…

Calendário com data 30 de janeiro destacada, simbolizando prazo final para opção do Simples Nacional na reforma tributária
Prazo para escolher recolhimento de IBS e CBS no Simples Nacional termina sexta-feira (30).

Termina nesta sexta-feira (30) o prazo para micro e pequenas empresas definirem como recolher os novos tributos da reforma — IBS e CBS — a partir de janeiro. Quem não agir agora ficará preso ao modelo padrão por todo o primeiro semestre.

A decisão não é apenas burocrática: ela define se o negócio poderá gerar créditos tributários nas vendas para outras empresas. Para muitos, a diferença no caixa será significativa.

O que está em jogo na escolha desta semana

O Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) antecipou a opção de regime por causa da transição tributária. Antes, a escolha acontecia em janeiro. Agora, o empresário precisa decidir entre dois caminhos até 30 de outubro:

  • Regime simplificado (padrão): alíquota única variável por atividade e porte, rateada depois entre os tributos.
  • Regime regular (híbrido): a empresa permanece no Simples, mas recolhe IBS e CBS pelo modelo padrão — permitindo geração e aproveitamento de créditos.

Quem não formalizar a opção pelo regime regular ficará automaticamente no simplificado de janeiro a junho de 2027. A próxima janela de mudança abre apenas em março, com efeitos no segundo semestre.

Por que o perfil dos clientes muda tudo

Empresas que vendem majoritariamente para consumidor final (B2C) tendem a se beneficiar da simplicidade do regime unificado. Já negócios com carteira B2B — indústrias, atacadistas, prestadores de serviços para outras empresas — podem perder competitividade se não gerarem créditos.

A conta envolve mais do que alíquota nominal. Entram na equação:

  • Cadeia de fornecedores e se eles também geram créditos;
  • Estrutura de preços e margem para absorver eventual aumento de carga;
  • Fluxo de caixa: o regime regular exige apuração separada, o que pode antecipar desembolsos.

Especialistas recomendam simular os dois cenários com dados reais da empresa antes de confirmar a opção.

Prazos que você não pode perder

O calendário concentrado em outubro pegou muitos contadores de surpresa. Veja as datas definitivas:

  • 1º a 15/10: solicitação de ingresso no Simples Nacional para 2027 (encerrado).
  • 1º a 30/10: opção pelo regime regular de IBS e CBS para o 1º semestre de 2027 (termina sexta).
  • 30/10: regularização de pendências que impediram a opção pelo Simples.
  • 3/11 a 20/12: desistência irretratável das opções feitas.
  • 1º a 31/03/2027: nova janela para escolha do regime regular com efeitos no 2º semestre.

Empresas abertas entre outubro e dezembro de 2026 seguem regra especial: a opção feita na abertura do CNPJ vale para o restante de 2026 e todo 2027.

MEI fica de fora — mas NFS-e nacional avança

O Microempreendedor Individual não entra nessa antecipação. A opção pelo Simei continua em janeiro, até o último dia útil do mês. Não confunda os calendários.

Já a Nota Fiscal de Serviço eletrônica (NFS-e) no emissor nacional teve obrigatoriedade adiada de 1º de setembro para 1º de novembro. O CGSN deu mais tempo para municípios e empresas ajustarem sistemas. Antes da data, teste a emissão, confira a integração com seu ERP e valide a parametrização dos dados fiscais.

DEFIS deixa de existir como declaração à parte

Outra mudança silenciosa: a Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais (Defis) será incorporada ao PGDAS-D. A entrega passa a ser anual, entre janeiro e março. Menos uma obrigação acessória separada — mas exigirá atenção redobrada no preenchimento unificado.

O que observar daqui para frente

A janela de março de 2027 será a chance de corrigir rota para o segundo semestre. Até lá, monitore três variáveis: como seus fornecedores estão se posicionando, se a geração de créditos efetivamente melhora seu fluxo e se a complexidade operacional do regime regular compensa o ganho tributário.

Empresas que simularem os cenários agora — com dados de faturamento, mix de clientes e cadeia de insumos — chegam a março com poder de decisão. Quem esperar o ano começar para analisar, decide no escuro.