O Goldman Sachs divulgou relatório neste domingo (25) mantendo recomendação de investimento no Brasil, mesmo prevendo pouca mudança na rota fiscal no quarto mandato de Lula. Na segunda-feira (26), a Bolsa acionou o circuit breaker pela primeira vez desde o início da pandemia. Por que o banco vê oportunidade onde o mercado vê apenas risco?
O tombo de segunda-feira e a frieza dos analistas
O Ibovespa despencou mais de 10% na abertura, forçando a paralisação das negociações. A reação violenta, contudo, não surpreendeu a dupla Alberto Ramos e Panteleymon Semka. Eles já precificavam a aversão a risco imediata, apostando que o novo governo terá dificuldade em conter a trajetória da dívida pública sem medidas mais duras.
A expectativa base é de ajustes modestos no gasto e provável elevação da carga tributária. Um cenário que, no papel, assusta o capital de curto prazo.
O nome que dita a volatilidade daqui para frente
Mais do que discursos de posse, o mercado precificará a escolha do próximo ministro da Fazenda. Segundo o relatório, essa nomeação será o principal gatilho de volatilidade nos próximos meses.
Sinais claros de compromisso com o arcabouço fiscal e uma equipe técnica respeitada podem inverter a narrativa rapidamente. O silêncio ou indicações políticas, por outro lado, alongam o prêmio de risco brasileiro.
Três “joias” que sustentam a tese de investimento
Apesar do ruído fiscal, os analistas listam vantagens estruturais que poucos pares emergentes oferecem:
- Commodities e geopolítica: Conflitos globais mantêm preços elevados; petróleo e gás nacional crescem de forma constante.
- Agronegócio “padrão mundial”: Setor altamente competitivo e em expansão contínua, blindado da volatilidade política interna.
- Transição energética e minerais críticos: Potencial substancial em energia verde, terras raras e insumos estratégicos para a nova economia global.
O colchão de segurança que o pânico esquece
O relatório faz questão de elencar fundamentos macroeconômicos que seguem intactos, independentemente do ocupante do Planalto:
- Meta de inflação crível e ancorada;
- Superávit comercial expressivo;
- Fluxo robusto de Investimento Estrangeiro Direto (IED);
- Reservas internacionais elevadas;
- Baixa dívida externa e perfil de serviço administrável;
- Sistema financeiro sólido e mercados domésticos profundos.
Esses pilares reduzem a probabilidade de uma crise de balanço de pagamentos, o verdadeiro “risco de cauda” para investidores estrangeiros.
O que observar daqui para frente
O desafio central não é conjuntural, mas estrutural: remover entraves de longa data ao crescimento. Para o investidor, a bússola nos próximos trimestres deve ser a credibilidade do novo arcabouço fiscal. Não basta anúncio; é preciso execução. Enquanto o sinal não vem, a assimetria favorece quem tem estômago para volatilidade e foco nos ativos reais — commodities, agro e infraestrutura verde — que o próprio banco destaca como refúgios de valor.
