Economia

Ministro da Fazenda 2027: o segredo que mexe com o dólar agora

Ministro da Fazenda 2027: dólar e incerteza fiscal pós-eleição presidencial brasileira
A escolha do próximo ministro da Fazenda definirá o rumo do dólar e dos juros no novo governo.

O vencedor da disputa presidencial deste domingo (25) herdará a missão de nomear o comandante da equipe econômica sob uma nuvem de desconfiança generalizada. As promessas de campanha de ambos os lados inflaram o gasto público e assustaram o mercado. A escolha do nome — e o momento do anúncio — ditará a trajetória do câmbio e dos juros nos primeiros meses do novo mandato.

O dilema fiscal que nenhum dos dois resolveu

Com a caneta na mão, o atual presidente estendeu subsídios a combustíveis, perdoou dívidas de MEIs e acenou com um “Pix de R$ 5.000” para empreendedores a partir de 2027. Na esteira, prometeu expandir o Pé-de-Meia para universitários e criar tarifa zero no transporte urbano nos fins de semana. São medidas que pressionam o Orçamento sem contrapartida clara de receita.

Do outro lado, o senador que o mercado via como fiador do ajuste recuou em pautas duras. Garantiu ganho real para aposentadorias, rejeitou desvincular benefícios do salário mínimo e abraçou a tarifa zero. O cardápio de cortes estruturais, antes esperado, encolheu drasticamente.

Por que o anúncio do ministro virou moeda de troca

A condução fiscal na campanha elevou a importância do titular da Fazenda a um nível atípico. Não basta escolher um nome técnico; o anúncio funciona como sinalização política. Se o petista vencer, precisará de alguém capaz de reverter uma provável reação violenta de alta do dólar e dos juros futuros logo na segunda-feira.

Caso o candidato do PL leve, a pressa será ainda maior. As últimas promessas colocaram em xeque a disposição para o ajuste, forçando uma indicação rápida para estancar a sangria de credibilidade. Em ambos os cenários, o placar final nas urnas calibrará o tom do aceno ao mercado.

O fantasma da “pauta da vingança” e a Receita Federal

Além da economia, paira o risco de a agenda política — anistia, impeachment de ministros do STF — consumir o capital político que deveria ser gasto na arrumação das contas. Sem sinalização fiscal contundente, a “boa vontade” dos agentes evaporará, pressionando câmbio e curva de juros.

Num eventual governo Flávio, o comando da Receita Federal ganha contornos sensíveis. O órgão toca inquéritos que envolvem o Banco Master, de Daniel Vorcaro, financiador de um filme sobre o pai do candidato. Flávio é alvo de inquérito no STF sobre a produção do documentário “Dark Horse” e de pedido de investigação por suspeita de lavagem de dinheiro via o advogado Willer Tomaz. A campanha nega irregularidades e diz que os autos não viraram inquérito.

O histórico pesa: no governo anterior, houve pressão direta sobre a Receita para blindar o então deputado estadual em caso de “rachadinha”. O episódio gerou uma dança de cadeiras no comando do órgão, com nomeações de aliados. As provas foram anuladas pelo STJ em novembro de 2021.

Os cotados para a cadeira de Haddad (ou seu sucessor)

Lado PL: O nome que ganhou força nas últimas semanas é o de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central. Tem o aval de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e é visto como “choque de credibilidade”. A dúvida é se aceita sair do cargo de chefe global de políticas públicas do Nubank sem carta branca para estabilizar a dívida. Há quem veja a indicação como jogada de Tarcísio para 2030; outros, na própria campanha, resistem justamente por isso.

  • Marcelo Kayath (ex-Credit Suisse): articulador de jantar com banqueiros, tem apoio de Eduardo Bolsonaro.
  • Adolfo Sachsida: coordenador econômico da campanha, preferido de Jair Bolsonaro, mas minimiza as próprias chances.
  • Mansueto Almeida (ex-Tesouro, hoje BTG): forte tecnicamente, mas a família Bolsonaro não vê com simpatia a ligação com André Esteves.
  • Alexandre Bettamio (Bank of America): nome de mercado puro.
  • Rogério Marinho (PL-RN): curinga político, coordenador da campanha, mira o Senado, mas pode ser deslocado.

Os nomes na mesa do Palácio do Planalto

Lado PT: Após o revés no primeiro turno, a equipe admite, reservadamente, que a transição ainda não começou. Ainda assim, circulam nomes com perfis distintos.

  • Gabriel Galípolo: presidente do BC, “menino de ouro” de Lula em 2022. O mercado o vê como o melhor antídoto fiscal, dado o currículo na autoridade monetária.
  • Dario Durigan: atual ministro, permanência incerta.
  • Camilo Santana (PT-CE): ganhou peso ao virar porta-voz da campanha.
  • Renan Filho (MDB-AL): bem avaliado nos Transportes, recordista em concessões; já foi cotado para o Planejamento em 2022.
  • Rafael Fonteles: governador reeleito do Piauí, ex-secretário de Fazenda estadual. Mercado gosta do perfil técnico; ala petista teme “queimá-lo” num posto de alto desgaste, pois o veem como presidenciável futuro.

O que observar daqui para frente

A primeira semana pós-eleição será decisiva. A velocidade do anúncio, o perfil do escolhido (técnico de mercado vs. político de confiança) e o discurso de posse — se houver menção a “responsabilidade fiscal” ou “investimento social” — calibrarão as expectativas. Para o empresário e o investidor, a regra prática é simples: não compre a narrativa da campanha; compre a sinalização do primeiro ato de governo. O nome da Fazenda dirá se o ajuste começa em janeiro ou se o Brasil entrará em 2027 rodando no fio da navalha.