Economia

LG investe R$ 1,5 bi no PR e mira 20% do mercado de linha branca

Fábrica da LG no Paraná: nova planta de linha branca no Brasil.
Complexo industrial da LG em Fazenda Rio Grande, PR, fruto de investimento de R$ 1,5 bi para produzir linha branca no Brasil.

A LG inaugurou sua primeira fábrica de linha branca no Brasil, com um aporte de R$ 1,5 bilhão no Paraná. O plano é conquistar 20% de um mercado hoje dominado por Brastemp e Electrolux, mas como essa operação afeta diretamente o varejo nacional e a logística continental?

Capacidade local e o efeito no varejo

Com 770 mil metros quadrados em Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba, o complexo se torna a segunda planta da multinacional no país. A unidade deve funcionar como o principal polo da empresa na América Latina, complementando a operação de Manaus, focada em eletrônicos e climatização há 30 anos.

A consequência imediata da produção local é uma drástica redução de prazo. Com a fabricação dentro do Brasil, o prazo de entrega aos varejistas deve encurtar em até 80%, agilizando a reposição de estoques e diminuindo a necessidade de grandes áreas de armazenagem.

A produção começa com geladeiras de entrada, focando em volume. Mas o efeito mais amplo aparece na estratégia de longo prazo da empresa.

Escala e tropicalização dos produtos

Inicialmente, a fábrica opera em um turno, mas a infraestrutura permite dobrar a capacidade no futuro. A meta para a fase atual é fabricar 600 mil geladeiras por ano. Essa escala resulta em uma unidade montada a cada 14 segundos, com o ciclo completo de produção levando cerca de uma hora.

Para atingir esse ritmo, a LG enviou técnicos da Coreia do Sul para mapear o consumo brasileiro. Os ajustes incluíram freezers maiores e adaptações nas dimensões para facilitar a passagem do produto por portas estreitas de residências nacionais.

  • Primeiro modelo: Duplex B472
  • Recursos: Tecnologia bivolt, Wi-Fi e aplicativo LG ThinQ
  • Eficiência: Compressor inverter e sistema de resfriamento na porta
  • Portfólio: Nacionalização de mais de 25 modelos até o final do ano

Após a estabilização da linha de refrigeradores, a companhia deve iniciar a produção de máquinas lava e seca no mesmo local. Mas o diferencial competitivo vai além dos modelos oferecidos.

A planta mais moderna e a estratégia financeira

O vice-presidente de vendas de home solutions, Rodrigo Fiani, classifica a unidade paranaense como a mais moderna do grupo no mundo. A linha de produção é única e flexível, capaz de fabricar múltiplos modelos simultaneamente sem interromper o fluxo.

Cada produto fabricado sai integrado ao sistema global de rastreabilidade da marca. De forma prática, os funcionários definem que cada geladeira “nasce com um CPF”, permitindo o controle total de qualidade em etapas como ensaios de queda e simulações de pressão lateral.

A obra atravessou um ciclo de juros altos, acima de dois dígitos desde 2022. Segundo Fiani, o investimento foi sustentado com capital próprio da matriz sul-coreana, blindando a operação de financiamentos locais e demonstrando forte apetite pelo mercado brasileiro.

A localização geográfica foi decisiva para a expansção logística da marca.

O que observar daqui para frente

A posição no Paraná otimiza o escoamento da produção para abastecer todo o mercado sul-americano. A flexibilidade da planta também permite ajustes rápidos conforme a demanda específica de grandes varejistas, evitando gargalos na cadeia de suprimentos.

Para os próximos anos, a intenção é replicar o modelo industrial de Manaus. A expectativa dos executivos é expandir as categorias fabricadas no local, transformando a planta do Sul em um polo diversificado de eletrodomésticos.

O movimento sinaliza uma maior pressão competitiva no setor. Investidores e gestores de varejo devem acompanhar o ganho de participação da LG frente às lideranças estabelecidas e a velocidade de resposta das concorrentes diante de prazos logísticos cada vez mais curtos.