Duas urnas eletrônicas do Vale do Paraíba foram retiradas das seções neste domingo (25) para passar por auditoria rigorosa na capital paulista. Os equipamentos — um de Taubaté, outro de Piquete — integram o grupo de 51 máquinas selecionadas em todo o estado para o teste de integridade do segundo turno.
O que acontece quando a urna da sua seção é a escolhida? A resposta envolve logística de guerra, fiscais de partidos filmando cada passo e um procedimento que poucas pessoas já viram de perto.
Como o sorteio mexeu na logística de Taubaté
A urna da seção 1ª da 141ª Zona Eleitoral já estava instalada na escola quando o cartório recebeu a comunicação oficial. Segundo Claudio Ritheli, chefe do cartório eleitoral da cidade, o equipamento foi recolhido às pressas e enviado para São Paulo.
No lugar, uma urna de contingência foi preparada, testada e lacrada antes de seguir para o local de votação. Taubaté tem 72 locais de votação e 751 seções — cerca de 240 mil eleitores esperados neste domingo.
Entenda os três tipos de auditoria em andamento
O TRE-SP estruturou a fiscalização em três frentes paralelas à votação oficial:
- Teste de integridade (33 urnas): cédulas de papel são preenchidas manualmente e digitadas nas urnas sorteadas; ao final, compara-se o boletim da urna com o sistema de acompanhamento.
- Teste de autenticidade (10 urnas): verifica se o software instalado é exatamente o mesmo assinado e lacrado pela Justiça Eleitoral — feito na própria seção, antes das 8h.
- Gestão de riscos (8 urnas): reservas para situações extraordinárias no transporte ou substituição de equipamentos.
Das 33 urnas do teste de integridade, 30 estão no Centro Cultural São Paulo e três passam pelo teste com biometria na Unip, campus Paraíso. Todas as auditorias ocorrem das 8h às 17h, com filmagem e presença de fiscais.
Quem escolhe as urnas auditadas?
Das 51 máquinas paulistas, 34 foram indicadas por entidades fiscalizadoras — partidos, Ministério Público, OAB, universidades e organizações da sociedade civil. As 17 restantes saíram de sorteio público com servidores do TRE.
No Vale, a urna de Piquete corresponde à seção 211ª da 68ª Zona Eleitoral (sede em Lorena). Ambas seguiram para a capital ainda na manhã de sábado.
O que o eleitor percebe na prática
Para quem vota, a troca é invisível. A urna de contingência passa pelos mesmos testes de funcionamento — data, hora, lacres, posicionamento da cabine — e o sigilo do voto é preservado com o mesmo rigor.
Ritheli explica que a preparação das salas considera até a posição de janelas e câmeras para evitar qualquer risco de visualização do voto.
O que observar nas próximas horas
Os resultados dos testes de integridade serão divulgados pelo TRE-SP após o encerramento da votação, às 17h. A correspondência total entre cédulas digitadas e boletins das urnas é o parâmetro que valida o processo perante a sociedade.
Se houver qualquer divergência — por mínima que seja —, o tribunal abre procedimento imediato de investigação. Até hoje, nenhum teste de integridade no Brasil apontou inconsistência nos resultados.
Acompanhe os canais oficiais do TRE-SP para o relatório final da auditoria deste domingo.
