Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (23) cravou Flávio Bolsonaro (PL) com 51% das intenções de voto no Distrito Federal, contra 42% de Lula (PT), a dois dias do segundo turno. A diferença de nove pontos coloca o petista em posição de dificuldade extrema na capital federal. Mas o que os votos válidos revelam sobre a disputa real?
O cenário nos votos válidos: distância ainda maior
Quando se excluem brancos, nulos e indecisos, a vantagem do candidato do PL salta para 10 pontos percentuais. Flávio Bolsonaro atinge 55% dos votos válidos, enquanto Lula fica com 45%.
Para vencer no primeiro turno, a legislação exige 50% mais um dos votos válidos. Matematicamente, o cenário aponta para uma definição já no domingo (25), sem necessidade de terceira via.
Brancos e nulos somam 6%, estáveis em relação ao levantamento anterior. Apenas 1% dos eleitores disse não saber em quem votar.
Evolução da disputa: oscilou, mas a favor de um lado
Comparando com a rodada de 9 de outubro, Flávio Bolsonaro subiu dois pontos (era 49%). Lula oscilou um ponto para baixo (era 43%).
A estabilidade dos indecisos e a migração líquida a favor do candidato de oposição sugerem que o eleitorado do DF já definiu sua preferência. Não há sinais de “voto envergonhado” ou volatilidade de última hora nos números brutos.
- Flávio Bolsonaro (PL): 51% (era 49%)
- Lula (PT): 42% (era 43%)
- Branco/Nulo/Nenhum: 6% (estável)
- Não sabe: 1% (era 2%)
Rejeição ao governo federal impulsiona oposição
O termômetro da gestão Lula explica grande parte do cenário local. Metade dos eleitores do DF (50%) classifica o governo como “ruim ou péssima”. É o pior índice da série histórica recente na capital.
A aprovação (“ótima ou boa”) caiu para 30%, ante 32% no início do mês. O conceito “regular” também recuou, de 22% para 19%.
Na avaliação pessoal do trabalho do presidente, a desaprovação chega a 55% (subiu 3 pontos). A aprovação recuou para 42%. O DF confirma-se como reduto de forte resistência ao projeto petista nacional.
Metodologia e margem de erro: o que garante a precisão
O instituto ouviu 910 eleitores entre 20 e 22 de outubro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O registro no TSE é BR-00875/2026. A pesquisa foi contratada pela Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo.
Com margem de três pontos, a diferença observada (nove pontos no estimulado) supera o dobro da incerteza estatística. Isso torna uma virada improvável, embora não impossível em cenário de abstenção diferenciada.
O que observar nas urnas domingo
O fechamento das urnas no domingo (25) testará se a vantagem nas pesquisas se traduz em comparecimento efetivo. O eleitorado do DF vota simultaneamente para presidente e governador (Celina Leão x Leandro Grass), o que pode alterar a dinâmica de abstenção entre os polos.
Fique atento à velocidade da apuração nas zonas eleitorais de classe média alta, tradicionalmente favoráveis à oposição. Se a vantagem se mantiver acima de 8 pontos nos primeiros 30% das urnas, a tendência de confirmação do Datafolha se consolida irreversivelmente.
