Economia

Eleições 2026: O que 73 gestores apostam para a Bolsa e o dólar na segunda-feira

Gráfico dividido mostra cenários opostos para Ibovespa e dólar após eleições 2026
Pesquisa com 73 gestores revela apostas radicais: ajuste fiscal ou expansão de gastos sem lastro.

Uma pesquisa do Citibank com 73 gestores de fundos revela um cenário de apostas radicalmente opostas para a abertura dos mercados na próxima segunda-feira (26). O resultado do segundo turno, no domingo (25), ditará se o Ibovespa e o real disparam ou desabam — e a distância entre as duas projeções assusta.

Não há meio-termo. De um lado, a expectativa de ajuste fiscal rigoroso. Do outro, o temor de expansão de gastos sem lastro. O mercado já precificou parte do otimismo, mas o “day after” promete testar os limites dos circuit breakers.

O mapa das apostas: vitória de Flávio Bolsonaro

Se o candidato do PL confirmar a liderança do primeiro turno, a maioria absoluta vê ganhos expressivos. Quase metade dos gestores (49,3%) projeta alta superior a 5% no Ibovespa. Outros 48% esperam valorização entre 1% e 5%. Apenas 2,7% cogitam queda.

No câmbio, o otimismo é ainda mais concentrado: 78,1% apostam na valorização do real entre 2% e 5% frente ao dólar. Quase 10% veem espaço para ganhos acima de 5%. Na curva de juros, 54,9% preveem recuo de 50 a 100 pontos-base no DI para janeiro de 2029.

  • Ibovespa: 49,3% veem alta > 5%; 48% entre 1% e 5%
  • Dólar/Real: 78,1% projetam apreciação de 2% a 5%
  • DI Jan/2029: 54,9% esperam queda de 50 a 100 pb

O cenário inverso: vitória de Lula

Aqui os números se invertem com violência. Oitenta por cento dos gestores esperam tombos superiores a 5% no Ibovespa. Só 7% veem queda mais branda (1% a 5%). Ninguém projeta alta.

No câmbio, 63% preveem desvalorização do real acima de 5%. Vinte e oito por cento estimam recuo entre 2% e 5%. A curva de juros futura reflete o susto: 67% apostam em alta superior a 100 pontos-base no DI Jan/2029, e 14% veem avanço de 50 a 100 pb.

Mas o efeito mais relevante aparece no mecanismo de proteção da Bolsa.

Quando o circuit breaker entra em ação

Quedas bruscas acionam travas automáticas. Se o Ibovesca recuar 10% em relação ao fechamento de sexta-feira (23), as negociações param por 30 minutos. Se, na reabertura, a perda atingir 15%, a paralisação dura uma hora.

Na prática, significa que uma vitória de Lula pode congelar o mercado antes mesmo que os investidores consigam ajustar posições. A liquidez some. O risco de gap de abertura — quando o primeiro negócio do dia já sai muito abaixo do fechamento anterior — torna-se real.

O que o primeiro turno ensinou

Após a votação de 6 de outubro, com Flávio Bolsonaro à frente (47,03% vs 45,16%), a reação foi imediata e forte. O Ibovespa saltou 7,70%, para 206.911 pontos — recorde nominal e real. O dólar despencou 4,11%, a R$ 5,001, maior queda diária de fechamento desde 2018.

Todo esse ganho está em jogo na segunda-feira. Uma reversão do cenário pode apagar semanas de valorização em poucas horas.

Por que a aposta fiscal move os preços

A candidatura de Flávio Bolsonaro carrega a promessa de ajuste fiscal mais agressivo. O mercado traduz isso em menor prêmio de risco para financiar a dívida pública. Taxas de juros futuras mais baixas reduzem o custo de capital das empresas, melhoram projeções de lucro e sustentam valuations mais altos na Bolsa.

É a cadeia clássica: expectativa fiscal → curva de juros → custo de crédito → lucro projetado → preço da ação.

O empate técnico que mantém todos em alerta

Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22) mostrou empate numérico: 50% dos votos válidos para cada lado. A margem de erro engole qualquer favoritismo. Isso explica a volatilidade antecipada — ninguém consegue se posicionar com convicção.

O que observar daqui pra frente

Segunda-feira (26) dirá quem tem razão. Mas a leitura mais útil para quem gere capital não é o resultado em si — é a velocidade de reação dos ativos nos primeiros 30 minutos. Se o circuit breaker não for acionado, a tendência do dia costuma se confirmar. Se travar, a incerteza se estende por dias.

Fique atento também ao volume negociado nos contratos futuros de dólar e DI na madrugada de domingo para segunda. O mercado internacional antecipa o humor local. Quem lê esses sinais antes da abertura da B3 sai na frente.