Cultura

O “Bloco do 22” tomou as ruas de Divinópolis: veja quem estava lá

Multidão vestida de verde e amarelo nas ruas de Divinópolis no Bloco do 22 com estruturas de som
Ato político "Bloco do 22" reúne apoiadores de Flávio Bolsonaro no Centro de Divinópolis.

Uma multidão vestida de verde e amarelo ocupou o Centro de Divinópolis na noite de quinta-feira (22) em apoio a Flávio Bolsonaro. O senador não compareceu, mas o recado político dado pelo ato ecoa muito além das ruas da cidade.

Batizado de “Bloco do 22”, o evento reuniu duas estruturas de som, um paredão e nomes de peso da nova configuração de poder em Minas Gerais. A caminhada partiu da Praça da Catedral em direção à Praça Benedito Valadares.

O governador eleito chegou cedo e ficou até o fim

Cleitinho Azevedo (Republicanos), eleito governador de Minas com votação expressiva, foi a principal autoridade presente. Ele caminhou entre os manifestantes, posou para fotos e discursou rapidamente em cima do trio elétrico.

Ao lado dele, os irmãos Gleidson Azevedo (Republicanos) e Eduardo Azevedo (PL), ambos eleitos deputados estaduais, reforçaram o alinhamento familiar e partidário que deve ditar o ritmo da Assembleia Legislativa nos próximos quatro anos.

Completavam a comitiva o deputado federal reeleito Domingos Sávio (PL) e os deputados estaduais eleitos Bruno Engler, Vile Santos e Pablo Almeida — todos do PL.

Vereadores locais selam alinhamento com o novo governo estadual

A presença de parlamentares municipais no ato não foi protocolar. Sinaliza uma costura política que pode facilitar a liberação de emendas e a aprovação de projetos de interesse da prefeitura na Assembleia.

  • Vereadores da base do prefeito Gleidson Azevedo marcaram presença
  • Oposicionistas também compareceram, evitando isolamento
  • Câmara Municipal deve ter relação mais fluida com o executivo estadual

Essa ponte entre legislativo municipal e estadual é um dos ativos mais valiosos para a governabilidade nos próximos anos.

Dois trios, um recado: a estrutura por trás da mobilização

A logística do evento chamou atenção. Um trio elétrico levava som e discursos; o outro, reservado para imprensa e assessores, funcionou como uma sala de imprensa móvel. O paredão de som acompanhava a retaguarda da caminhada.

Essa organização não é improvisada. Indica máquina partidária azeitada, recursos para campanhas futuras e capacidade de mobilização que será testada já nas eleições municipais de 2024.

Mas o efeito mais relevante aparece na leitura dos números que ninguém divulga abertamente.

O que os números não mostram, mas a rua confirma

Não há estimativa oficial de público. A Polícia Militar e os organizadores não divulgaram cifras. Em eventos semelhantes na região, a discrepância entre as contas costuma passar de 100%.

O que se observa, porém, é a capilaridade: bairros periféricos enviaram caravanas, e a adesão espontânea ao longo do percurso sugere penetração do discurso bolsonarista em camadas que pesquisas de opinião muitas vezes subestimam.

O que observar daqui para frente

A configuração política desenhada em Divinópolis na quinta-feira serve de termômetro para 2024. A aliança PL-Republicanos, testada nas urnas estaduais, agora precisa provar que governa — e que consegue eleger prefeitos e vereadores alinhados. O primeiro teste real será a destinação de emendas parlamentares nos primeiros seis meses de mandato. Quem receber, como receber e em que prazo. Isso dirá mais sobre a força real do “Bloco do 22” do que qualquer caminhada.