João Doria, ex-governador de São Paulo e comandante do grupo Lide, confirmou a aliados que torce pela eleição de Flávio Bolsonaro à Presidência em 2026. A informação circulou em círculos restritos nesta sexta-feira (23) e pode resultar em um vídeo público do empresário nas próximas horas.
A guinada chama atenção: Doria rompeu com Jair Bolsonaro durante o mandato no Palácio dos Bandeirantes e, desde então, manteve distância do clã. O que explica a reaproximação agora?
O cálculo por trás da virada
O Lide vive do poder de convocação. Seus eventos reúnem, no mesmo ambiente, CEOs das maiores empresas do país, ministros do Supremo, presidentes de bancos centrais e governadores. Sem acesso ao Planalto, a vitrine perde brilho.
Nos últimos meses, a cúpula do governo Lula rara vez apareceu nos encontros do grupo. Flávio Bolsonaro, por sua vez, também vinha declinando convites. Doria precisa de um dos dois lados para manter a máquina girando.
Por que Flávio e não o pai?
- Jair Bolsonaro está inelegível até 2030 por decisão do TSE.
- Flávio ocupa cadeira no Senado e lidera articulações do PL para 2026.
- O senador tem trânsito no agronegócio, no mercado financeiro e nas bancadas evangélicas — públicos que lotam eventos do Lide.
A aposta de Doria é que, ao apoiar o filho, abre-se uma porta para o pai nos bastidores, sem o ônus público de um alinhamento direto com o ex-presidente.
O risco da estratégia
Empresários ouvidos reservadamente dizem que a postura pode afugadar patrocinadores que preferem neutralidade. Bancos e fundos de investimento, principais financiadores do Lide, costumam evitar exposição partidária explícita.
Outro ponto: a base do bolsonarismo mais radical ainda vê Doria como “traidor” por causa das medidas de restrição na pandemia. A reconciliação não é automática.
E o governo Lula?
Até aqui, o Planalto não comentou. Mas a ausência de ministros em eventos recentes do Lide já era lida como sinal de desconforto. Se Doria efetivar o apoio público a Flávio, a tendência é de afastamento ainda maior.
Para o empresariado, o recado é claro: o grupo Lide deixa de se vender como “plataforma suprapartidária” e assume lado no tabuleiro sucessório.
O que observar nas próximas semanas
Três sinais dirão se a jogada funcionou:
- Publicação ou não do vídeo anunciado por Doria.
- Presença de Flávio Bolsonaro no próximo grande evento do Lide (previsto para março).
- Reação de patrocinadores-chave — renovam contratos ou reduzem aportes?
Se o cálculo der certo, Doria revive a influência política que perdeu ao deixar o governo paulista. Se der errado, o Lide vira mais um palco de polarização — e perde o diferencial que o tornou indispensável para quem faz negócios no Brasil.
