Justiça

Foragido há 13 anos: Justiça mantém condenação de idoso na lista da Interpol

Idoso foragido há 13 anos tem condenação mantida pelo TJ-RR e segue na Difusão Vermelha da Interpol
Justiça de Roraima mantém condenação de Cirilo Barros Ferreira, 78 anos, foragido desde 2012 e procurado pela Interpol.

O Tribunal de Justiça de Roraima manteve, por unanimidade, a condenação de Cirilo Barros Ferreira, de 78 anos, pelo assassinato do empresário Francisco Mesquita. A decisão das Câmaras Reunidas, proferida em setembro de 2026, encerra a tentativa da defesa de anular o júri que o sentenciou a mais de duas décadas de prisão. O réu, no entanto, segue foragido desde 2012 e consta na Difusão Vermelha da Interpol.

Mas o que levou seis desembargadores e um juiz a rejeitarem o recurso de revisão criminal apresentado apenas meses atrás?

O pedido que não convenceu o tribunal

Em março de 2026, a defesa protocolou revisão criminal alegando ausência de provas suficientes da autoria e invocou o princípio in dubio pro reo — a regra de que a dúvida beneficia o réu. Pediu, subsidiariamente, a anulação do processo. O colegiado entendeu que o instituto é excepcional e não serve para rediscutir provas já analisadas sem apresentar elementos novos ou demonstrar erro judiciário.

A condenação original, de agosto de 2012, fixou pena de 21 anos e 7 meses por homicídio qualificado (motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima) e posse ilegal de duas armas de fogo, uma de uso restrito.

Um crime que envolveu disputa empresarial

Francisco Mesquita, o “Chico da Meta”, era dono da Meta Táxi Aéreo. Foi executado a tiros ao deixar uma pizzaria no bairro Aparecida, zona Norte de Boa Vista, em maio de 2011. O Ministério Público apontou Cirilo como executor dos disparos, a mando do empresário Vivaldo Nogueira Barros, o “Vivi”, proprietário da concorrente Paramazônia.

O pano de fundo: uma disputa judicial pela anulação de licitação da Funasa para aluguel de aeronaves de pequeno porte. Ambos os empresários foram presos em flagrante à época.

Fuga cinematográfica e rastro internacional

Cirilo cumpria pena na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo quando escapou na madrugada de 4 de abril de 2012. Um policial militar teria recebido R$ 8 mil para facilitar a fuga. Desde então, o paradeiro é incerto.

  • Maio de 2017: inclusão na Difusão Vermelha da Interpol — alerta global para localização e eventual extradição.
  • 2021: inteligência policial suspeitava de paradeiro em Brasília ou interior da Bahia; buscas frustradas.
  • 2025: figura como foragido mais velho do “Projeto Captura”, lista nacional de procurados perigosos.

O mandado de prisão expedido em 2018 pela 1ª Vara do Tribunal do Júri de Roraima permanece válido até outubro de 2033, quando a pretensão punitiva prescreve.

O mandante que não chegou a julgamento

Vivaldo Nogueira Barros morreu em setembro de 2011, um dia após fugir da prisão, na queda de uma aeronave no município do Cantá. Respondia a processos na Polícia Federal e aguardava julgamento como suposto mandante. Com a morte, a ação penal contra ele se extinguiu.

O que observar daqui para frente

A manutenção da condenação em segunda instância reforça a solidez do acervo probatório, mas a impunidade prática persiste enquanto Cirilo não for localizado. A validade do mandado até 2033 mantém a pressão institucional ativa. Para investidores e empresários que acompanham a segurança jurídica na região, o caso sinaliza que decisões do Tribunal do Júri resistem a revisões tardias — ainda que a execução da pena dependa, exclusivamente, da efetividade da cooperação policial internacional e da inteligência de captura.