O pão de mel da marca Amor de Mel, produzido pela empreendedora Hérica Godoy, mãe do ator Chay Suede, viu seu faturamento triplicar em semanas após circular espontaneamente entre o elenco da novela “Quem Ama Cuida”. O que começou como um gesto de carinho nos bastidores virou caso de estudo sobre o poder da prova social não paga.
Mas como um doce artesanal salta de 1.000 unidades semanais para uma demanda que ameaça a capacidade produtiva — sem um real em mídia paga?
O gatilho: exposição orgânica no horário nobre
Durante as gravações, Chay Suede levou caixas do produto para colegas de elenco. Vídeos publicados pelos próprios atores — sem contrato publicitário — mostraram reações genuínas ao provar o doce. A repercussão foi imediata: perfis de fãs replicaram, comentários pediram links de compra e o WhatsApp da empresa não parou de tocar.
Hérica Godoy define o período como “uma loucura muito boa”. Em números: o faturamento mensal, antes estável na casa dos R$ 50 mil, saltou para um patamar que a obriga a repensar toda a operação logística.
O que os números revelam sobre o negócio
- Investimento inicial: R$ 400 mil há dez anos para estruturar a marca
- Produção base: mais de 1.000 unidades por semana
- Faturamento pré-viralização: cerca de R$ 50 mil/mês
- Crescimento reportado: vendas triplicaram no período pós-exposição
- Novas frentes: consultas sobre franquia e interesse de investidores
A empresa, sediada na zona norte de São Paulo (Rua José Justino Pereira, 320, Água Fria), opera hoje no limite da capacidade artesanal. O desafio não é mais vender — é entregar sem perder o padrão que gerou a reputação.
Por que a prova social superou campanhas tradicionais
Especialistas em comportamento do consumidor apontam três fatores que explicam a conversão acima da média: ausência de intenção comercial aparente nos vídeos, credibilidade transferida de figuras públicas admiradas e formato de “descoberta” — o público sentiu que encontrou algo exclusivo, não que foi impactado por anúncio.
Diferente de publiposts contratados, a exposição não teve call to action, link na bio ou cupom de desconto. A demanda nasceu da curiosidade genuína.
O dilema do crescimento acelerado
Com pedidos chegando inclusive para novos lotes nos bastidores da novela, a empresária enfrenta o clássico paradoxo da escala artesanal: aumentar produção sem padronizar a ponto de perder a “mão” que tornou o produto desejado.
Franquear a marca, cogitado após as consultas recebidas, exigiria documentação de processos, controle de qualidade replicável e estrutura de suporte — investimentos que competem com a necessidade imediata de atender a demanda atual.
O que observar daqui para frente
Três variáveis definirão se o pico vira patamar sustentável: a capacidade de Hérica de estruturar logística de cold chain para envios nacionais, a definição clara se o modelo será expansão própria ou franquia, e a manutenção do buzz orgânico — que costuma ter meia-vida curta sem estratégia de comunidade. Para quem empreende no food service, o caso ensina: produto excelente + exposição autêntica acelera tudo. Mas a operação é quem sustenta.
