Economia

Meta eleva aposta bilionária em IA e cria nova classe de ações: o que muda para o investidor

Meta anuncia investimento de até US$ 145 bi em IA e nova classe de ações sem voto
Mark Zuckerberg apresenta planos bilionários de IA e reestruturação acionária da Meta

A Meta confirmou que vai acelerar o ritmo: os investimentos de capital para 2026 saltam para uma faixa entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões, acima do piso anterior de US$ 130 bilhões. Ao mesmo tempo, a dona do Facebook, Instagram e WhatsApp anunciou uma nova classe de ações sem direito a voto, distribuída como dividendo na proporção de duas para uma. O movimento sinaliza confiança, mas também levanta dúvidas sobre diluição e governança.

O tamanho da aposta e o que ela financia

O novo teto de US$ 145 bilhões (cerca de R$ 728,5 bilhões) representa um dos maiores orçamentos de capital da história corporativa recente. O dinheiro vai para data centers, chips especializados e infraestrutura de treinamento de modelos de grande escala. No balanço do terceiro trimestre, a receita cresceu 26% ano a ano, para US$ 64,6 bilhões, e o lucro por ação chegou a US$ 3,83 — ambos acima do consenso.

Para o quarto trimestre, a projeção fica entre US$ 73 bilhões e US$ 76 bilhões. O core business de publicidade segue bancando a expansão, enquanto a divisão Reality Labs ainda deve queimar cerca de US$ 19 bilhões em 2024, com meta de reduzir para US$ 15 bilhões em 2027.

Muse: o agente que mudou a narrativa

O grande trunfo apresentado por Mark Zuckerberg é o Muse, agente de IA lançado em setembro. Em seis semanas, ultrapassou 10 milhões de usuários nos EUA e no Canadá, liderando rankings de aplicativos móveis. O assistente automatiza compras, agendamentos e aquisição de ingressos, mas exige capacidade computacional massiva — um dos motivos pelos quais ainda não há lançamento global.

Zuckerberg afirmou que o modelo já demonstrou product-market fit e a empresa entra agora em fase de escala operacional. Testes independentes ainda não validaram a equivalência ao GPT-4o ou ao Claude 3.5 Sonnet em tarefas de código e análise financeira, mas a adoção inicial sugere tração real.

Nova classe de ações: mecanismo e implicações

A estrutura aprovada cria papéis sem voto, distribuídos como dividendo em ações (2:1). Na prática, funciona como um desdobramento que preserva o controle de Zuckerberg — que mantém poder de voto majoritário via ações classe B — enquanto libera moeda para:

  • Captação de recursos sem diluir controle;
  • Remuneração em ações para atrair talentos em IA;
  • Possíveis aquisições estratégicas.

A negociação dos novos papéis deve começar em janeiro. Para o investidor minoritário, a diluição econômica é real, mas a liquidez adicional pode compensar no curto prazo.

Monetização da IA: o modelo que ainda não existe

A Meta não vai cobrar do usuário comum pelo Muse. A receita virá de três frentes: taxas de transação pagas por empresas, assinaturas para usuários intensivos e acesso a modelos avançados, além de ferramentas corporativas via nova plataforma de nuvem comandada por CJ Desai. Susan Li, CFO, admitiu que o ciclo de retorno será mais longo que no negócio de anúncios, mas vê amplitude de oportunidades que justifica o risco.

O que observar nos próximos trimestres

Três variáveis vão ditar se a aposta se paga: (1) eficiência computacional — se o custo por inferência cair rápido, a margem do Muse melhora; (2) adoção empresarial da nova nuvem de IA — receita recorrente de alto valor; (3) disciplina de gastos fora de IA — a Meta cortou 15% do quadro em um ano, mas precisa provar que consegue manter a enxugada enquanto gasta US$ 140 bi por ano. O mercado já precificou otimismo: as ações subiram mais de 3% no after-hours e acumulam ~6% no ano. O teste real virá quando os números de 2025 mostrarem se a infraestrutura bilionária vira lucro ou apenas depreciação.