O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) mantém articulações nos bastidores para assumir o Ministério das Relações Exteriores. A movimentação ocorre em meio a negociações sobre a composição do governo e expõe tensões na base aliada.
O que está em jogo
O Itamaraty comanda a política externa brasileira, gere embaixadas em mais de 160 países e administra um orçamento anual superior a R$ 3 bilhões. Quem ocupa a pasta define o posicionamento do Brasil em fóruns como ONU, Mercosul e BRICS.
Para o clã Bolsonaro, o ministério representa vitrine internacional e capacidade de influenciar acordos comerciais, visto que o deputado já atua como articulador informal em missões no exterior.
Resistências internas
Integrantes do centrão e do próprio PL veem a indicação com ceticismo. Argumentam que a falta de experiência diplomática formal — Eduardo é advogado e policial federal licenciado — enfraqueceria o Brasil em negociações sensíveis.
- Carreira diplomática exige concurso público e formação no Instituto Rio Branco
- Ministros recentes vieram do serviço exterior ou da academia
- Nomeação de político sem lastro técnico seria inédita na redemocratização
Cenários possíveis
Se a pressão prosperar, a nomeação exigiria aval do Palácio do Planalto e superaria sabatina no Senado. O histórico de votações recentes sugere margem apertada: em 2023, indicações polêmicas para embaixadas foram rejeitadas ou retiradas.
Alternativa cogitada por aliados seria cargo de embaixador em Washington ou Buenos Aires — postos estratégicos, mas sem a gestão da máquina ministerial.
O que observar nas próximas semanas
A definição deve sair antes da posse da nova legislatura, em fevereiro. Até lá, cada declaração pública de lideranças do PL e do governo federal funciona como termômetro. O desfecho sinalizará quanto peso o ex-presidente Jair Bolsonaro ainda detém na máquina federal e quais concessões o centrão está disposto a fazer.
