Economia

Prejuízo de R$ 1 mi em cobertura: o erro que até influenciadores cometem

Cobertura de luxo no Panamby onde Viih Tube teve prejuízo de R$ 1 milhão
A cobertura no Panamby que gerou prejuízo de R$ 1,08 mi à influenciadora Viih Tube.

Viih Tube confirmou um prejuízo de R$ 1,08 milhão ao reduzir o preço da cobertura no Panamby de R$ 4,5 para R$ 3 milhões. O caso expõe uma armadilha comum no alto padrão: reformar para morar e precificar como investimento.

A influenciadora admitiu em caixa de perguntas que o valor inicial “estava muito acima da região”. A declaração direta rara entre celebridades revela como o apego emocional distorce a análise de mercado — mesmo para quem vive de exposição pública.

O cálculo frio por trás do desconto

O investimento total somou R$ 4,08 milhões: R$ 1,58 milhão na aquisição e R$ 2,5 milhões na reforma. A venda por R$ 3 milhões ignora impostos, comissão de corretagem e custos de negociação, o que amplifica a perda real.

Não foi o primeiro corte. Em junho, o imóvel já havia caído de R$ 4,5 para R$ 3,5 milhões. A nova redução de R$ 500 mil sinaliza que o tempo de exposição no mercado está consumindo valor — fenômeno conhecido como price erosion em ativos de baixa liquidez.

Por que a reforma não se paga

A reforma foi projetada para moradia de longo prazo, não para revenda. Piscina, sauna, cinema e hall privativo atendem ao gosto pessoal da família, não ao perfil do comprador médio da região.

  • 350 m² em dois pavimentos
  • 3 suítes + espaço para a 4ª
  • 3 vagas de garagem
  • Piscina, sauna, hall privativo e cinema
  • Venda mobiliada com eletrodomésticos

Itens de lazer personalizados têm retorno próximo de zero na revenda. O comprador de alto padrão costuma preferir “caixa branca” para imprimir o próprio estilo.

A mudança de vida que mudou o ativo

O gatilho foi a chegada dos filhos. Lua, 3 anos, e Ravi, 1 ano (nascido em novembro de 2024), transformaram a necessidade: de cobertura urbana para casa com área verde.

Em junho de 2023, o casal adquiriu uma mansão no Haras Guancan, Granja Viana, por valor não divulgado. Terreno de 2.471 m², 4 suítes, 6 banheiros, academia, sala de 120 m² com pé-direito de 6 metros e suíte master de 50 m² com banheiros separados. A mudança ocorreu em fevereiro de 2024, após seis meses de obra.

O imóvel fica no mesmo condomínio de Bianca Andrade (Boca Rosa), o que indica valorização da região — mas não resolve a liquidez da cobertura antiga.

O que isso ensina para quem investe

Três lições práticas emergem do caso:

  • Reforma de uso próprio não é investimento: personalização reduz o universo de interessados.
  • Precificação deve olhar comparáveis, não custo: o mercado paga pelo que vale, não pelo que custou.
  • Tempo de mercado corrói preço: cada mês parado aumenta o desconto necessário para fechar.

A cobertura segue fechada, à espera de comprador. A venda mobiliada pode acelerar a negociação, mas não elimina a perda já contratada.

O que observar daqui pra frente

O desfecho desta venda servirá de termômetro para o Panamby: se fechar perto de R$ 3 milhões, valida o novo patamar. Se demorar mais, novos cortes virão. Para investidores, o caso reforça que imóveis de altíssimo padrão comportam-se mais como obras de arte do que como ativos financeiros — liquidez baixa, subjetividade alta e sensibilidade extrema a ciclos de vida dos proprietários.