A seleção brasileira feminina de ginástica artística fechou a final por equipes em 5º lugar no Mundial de Roterdã, mas o número que importa é outro: o time foi o único entre os oito finalistas a melhorar a nota em relação à classificatória, saltando da 8ª para a 5ª posição. Com 159,730 pontos, o Brasil assegurou presença no Mundial de 2027 — etapa que distribuirá nove vagas olímpicas para Los Angeles 2028.
O pódio que quebrou hegemonias
A China (165,764) voltou ao topo após 20 anos, tirando o título dos EUA, que venciam há sete edições consecutivas. As americanas ficaram com a prata (165,531) e o Japão completou o pódio com 164,063 — sua primeira medalha mundial por equipes em 60 anos. França (161,130) fechou o top 4. Os três primeiros já têm vaga garantida em LA 2028.
Salto: o aparelho que puxou a recuperação
Foi no salto que o Brasil brilhou: 41,433 no somatório, a melhor marca da equipe na final. Destaque para a estreia de Sophia Weisberg, 16 anos, que cravou a dupla pirueta que falhara na classificatória e marcou 14,033. Rebeca Andrade, última a saltar, executou série perfeita e anotou 14,400. Flávia Saraiva abriu com 13,000 após pequeno passo na aterrissagem.
- Trave: 40,532
- Paralelas assimétricas: 39,132
- Solo: 38,633
Calendário decisivo: três chances de pódio individual
A campanha não acaba aqui. Nesta sexta (23), Flávia Saraiva e Lorrane Oliveira disputam o individual geral. No sábado (24), Rebeca Andrade entra no salto — aparelho onde é medalhista olímpica. No domingo (25), Flavinha volta à trave. Todas as finais ocorrem no horário das 14h30 às 17h (Brasília), exceto domingo, que começa às 10h.
O recado da capitã e o ciclo que se inicia
“Nosso principal objetivo era a classificação para o Mundial de 2027. O primeiro passo a gente já demos. Agora é continuar treinando. Não há segredos, já sabemos como é”, disse Flávia Saraiva. A fala resume a mentalidade de um ciclo que terá como meta clara: estar entre as nove melhores do mundo daqui a dois anos para carimbar o passaporte olímpico.
O que observar daqui para frente
A consistência mostrada na final — nenhuma queda, rara falha técnica — sinaliza maturidade competitiva. O desafio agora é converter essa base em notas de dificuldade mais altas, especialmente nas paralelas e no solo, onde a distância para o top 3 ainda passa de 5 pontos. O calendário de 2025/2026 definirá se o 5º lugar de Roterdã foi teto ou degrau.
