Economia

Weg lucra R$ 1,66 bi no 3º tri: o motor oculto por trás da receita recorde

Fábrica da Weg com motores industriais e equipamentos para data centers
Weg registra lucro de R$ 1,66 bi no 3º tri impulsionada por demanda externa de óleo, gás e data centers

A Weg fechou o terceiro trimestre com lucro líquido de R$ 1,66 bilhão, alta de 0,9% na comparação anual, enquanto a receita líquida saltou 5,7% para R$ 10,8 bilhões. O resultado superou as expectativas de estagnação, mas a verdadeira história está na mudança silenciosa de rota geográfica da companhia.

O mercado externo carregou o piano. Mesmo com o real valorizado corroendo a conversão cambial, a demanda por equipamentos de óleo, gás e ventilação para data centers nos EUA e Europa segurou as margens. Mas o que vem a seguir pode redefinir o tamanho da empresa.

O motor que não parou: exterior compensa câmbio desfavorável

A receita internacional foi o grande amortecedor do trimestre. Segmentos como óleo e gás e, sobretudo, sistemas de refrigeração para data centers, mantiveram os pedidos firmes nos principais polos industriais globais.

A empresa destacou que a “boa demanda por produtos e serviços” lá fora neutralizou o impacto negativo da moeda brasileira forte. Sem esse pilar, o crescimento de 5,7% na receita consolidada dificilmente seria atingido.

No front doméstico, o cenário é misto. Projetos de transmissão e distribuição (T&D) seguem aquecidos, sustentando a base. Em contrapartida, o segmento de energia solar deu sinais claros de exaustão, com “baixa demanda” declarada oficialmente pela gestão.

Margens sob pressão? Ebitda sobe, mas composição muda

O Ebitda ajustado chegou a R$ 2,34 bilhões, avanço de 3,1% ano a ano. A margem Ebitda, no entanto, ficou estável na casa de 21,6%, sinalizando que o repasse de custos e o mix de produtos conseguiram segurar a rentabilidade apesar do câmbio.

A divisão de Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais continua sendo a espinha dorsal, respondendo por quase metade do faturamento. Veja a participação por pilar:

  • Eletroeletrônicos Industriais: 49,6% da receita
  • Geração, Transmissão e Distribuição (GTD): 38,6%
  • Motores Comerciais: 7,6%
  • Tintas e Vernizes: 4,2%

Mas o efeito mais relevante aparece nos anúncios estratégicos feitos em setembro.

Duas apostas bilionárias: data centers nos EUA e baterias no Brasil

Em um intervalo de três dias, a Weg colocou na mesa R$ 1,17 bilhão em novos investimentos. O movimento revela para onde a companhia olha nos próximos cinco anos: infraestrutura de IA e transição energética.

Projeto Local Investimento Foco
Ampliação de geradores América do Norte US$ 165 mi (~R$ 840 mi) Data centers / Demanda energética EUA
Fábrica de baterias (expansão) Itajaí (SC) R$ 330 mi Armazenamento / Transição energética (4 GWh/ano)

A unidade de baterias em Santa Catarina dobrou a capacidade planejada originalmente, saltando para 4 GWh anuais. A fábrica de geradores nos EUA será erguida em duas fases, mirando diretamente a explosão do consumo de energia impulsionada por inteligência artificial.

O que observar daqui para frente

O trimestre mostrou uma Weg resiliente, mas o jogo virou para execução. O investidor deve monitorar três variáveis críticas nos próximos balanços: a velocidade de ramp-up da fábrica de baterias em Itajaí, a entrada em operação da linha de geradores na América do Norte e a recuperação — ou não — do mercado solar brasileiro.

Se a demanda por data centers sustentar o ciclo de capex global e a transição energética acelerar no Brasil, a receita de R$ 40,8 bilhões registrada no último ano fechado pode parecer modesta frente ao novo patamar. O risco cambial permanece, mas a exposição geográfica diversificada nunca foi tão favorável quanto agora.