Leo Stronda, um dos pioneiros do fitness digital no Brasil, afirma que o fisiculturismo transcende o esporte: é uma forma de arte. A declaração ganha peso quando vem de quem ajudou a transformar atletas anônimos em referências nacionais. Mas o que ele revelou sobre a nova safra de competidores pode mudar como o mercado enxerga o palco do Mr. Olympia Brasil.
Durante o evento de 2026, o ex-vocalista do Bonde da Stronda detalhou como a subjetividade dos julgamentos alimenta o debate sobre a natureza da modalidade. Para ele, a dedicação extrema de esculpir o próprio corpo aproxima o atleta do artista. A diferença? No palco, a tela é a pele e o pincel, a disciplina diária.
O pioneiro que o mercado não esperava
Há pouco mais de uma década, o termo “influenciador” mal existia no vocabulário corporativo. Stronda lembra que, ao fechar com a Integralmedica, ouviu dos executivos: “A gente nunca contratou um artista”. Até então, contratos de suplementação eram exclusividade de campeões consagrados — amadores não entravam na equação.
Ele foi o primeiro nome artístico a ocupar esse espaço. O projeto Fábrica de Monstros e o quadro Convidado Monstro tratavam fisiculturistas como estrelas de TV, muito antes de o algoritmo tornar isso padrão. A estratégia: dar visibilidade a atletas bons, mas desconhecidos.
- Primeiro influenciador fitness contratado por grande marca de suplementos no Brasil
- Início da produção de conteúdo especializado: meados de 2010
- Formato de entrevista com atletas “invisíveis” para o grande público
Construção coletiva, não heroísmo solitário
Stronda rejeita o rótulo de “principal responsável” pela explosão do fisiculturismo nacional. Cita nomes que surgiram na esteira — Renan 4Fit, Felipe Franco, Toguro — e define o crescimento como obra de “muitos pilares”. A cena ganhou volume, profissionalizou-se e atraiu investimentos que, anos antes, pareciam improváveis.
Essa visão de ecossistema explica por que ele evita centralizar o mérito. O mercado de suplementos, eventos e mídia especializada expandiu em bloco. Cada novo canal, cada atleta revelado, cada contrato inovador adicionou uma camada.
O físico “perfeito” segundo quem entende de palco
Perguntado sobre a elite atual, Stronda não hesita: Samson Dauda detém o físico mais completo da categoria Men’s Open. A justificativa técnica é cirúrgica — harmonia entre volume muscular, definição extrema e cintura estreita. O britânico, vice-campeão do Olympia 2023, virou referência estética para quem acompanha a evolução da categoria.
Entre os brasileiros, o destaque vai para Leandro Peres na super-pesada. Mas foi ao citar um novato que a conversa ganhou contornos de previsão de mercado.
O “Tarzan” que pode assustar a elite mundial
Lucas “Tarzan” conquistou o card profissional no Mr. Olympia Brasil 2026. Stronda aponta que o atleta “preencheu todo o frame” — jargão para estrutura óssea larga, favorável à massa muscular. A projeção: se adicionar volume na medida certa, torna-se candidato legítimo a figurar entre os grandes no Olympia internacional.
O detalhe importa: a transição de amador para pro costuma levar anos de ajustes finos. Tarzan parece ter queimado etapas estruturais. Se a evolução de off-season confirmar a densidade prometida, o Brasil ganha um atleta com perfil de dark horse para 2027 em diante.
O que observar daqui para frente
A profissionalização de Tarzan acende um sinal para patrocinadores, promotores de eventos e gestores de carreira: o ciclo de revelação de talentos no Brasil encurtou. Antes, o caminho passava obrigatoriamente por anos de circuitos regionais. Hoje, a combinação de estrutura de base, visibilidade digital e suporte nutricional acelera a maturação competitiva.
Para quem investe no ecossistema — marcas, feiras, plataformas de streaming —, o recado é claro: o próximo grande nome pode já estar no palco nacional, esperando apenas o empurrão logístico para cruzar a linha que separa promessa de lenda. A arte, como definiu Stronda, continua em construção. O próximo traço pode ser brasileiro.
