Economia

O segredo que transformou um cantor no 1º influenciador fitness do Brasil…

Leo Stronda, pioneiro influenciador fitness do Brasil, em parceria com Integralmedica 2014
O cantor Leo Stronda assinou o 1º patrocínio de suplementos para artistas, revolucionando o mercado fitness.

Leo Stronda não subiu no palco do Mr. Olympia, mas mudou as regras do jogo para quem vive do fisiculturismo. Em 2014, a Integralmedica assinou com ele o primeiro contrato de patrocínio voltado a um “artista” — não a um atleta campeão. O mercado de suplementos, até então restrito a medalhistas, nunca mais foi o mesmo.

Hoje, a economia de criadores no fitness movimenta bilhões. A pergunta que fica: o que o pioneiro enxerga que as marcas ainda ignoram?

Quando “influenciador” nem existia no vocabulário do mercado

Stronda lembra que, há pouco mais de uma década, o termo não existia. Marcas como Integralmedica, Growth e Probiótica só contratavam campeões olímpicos ou detentores de cartão profissional. Amadores? Invisíveis. Artistas? Impensáveis.

A quebra de paradigma veio com a Fábrica de Monstros, canal que Stronda criou para entrevistar fisiculturistas desconhecidos — tratando-os como estrelas de TV. A lógica era simples: se o público não conhece o atleta, não há demanda por ingressos, suplementos ou eventos.

O contrato com a Integralmedica, fechado quando o próprio departamento jurídico da empresa não tinha cláusulas para “não atletas”, virou case interno. Outras marcas seguiram o rastro.

O efeito cascata que ninguém previu

Dois anos depois, o cenário já era outro. Canais como Renan 4Fit, Felipe Franco e Toguro explodiram em audiência. Juntos, eles transformaram o fisiculturismo de nicho em conteúdo de massa no YouTube e, depois, no Instagram e TikTok.

Stronda não se apropria do mérito sozinho:

  • 2014: Primeiro contrato de influenciador fitness no Brasil (Integralmedica)
  • 2016-2018: Explosão de canais especializados — 4Fit, Franco, Toguro
  • 2020 em diante: Marcas passam a dividir verba entre atletas e creators
  • 2026: Mr. Olympia Brasil consagra novos profissionais “criados” na internet

Mas o impacto mais relevante aparece na estrutura de patrocínios atuais.

Como as marcas repartem o orçamento hoje

Executivos de três grandes fabricantes de suplementos confirmam, sob reserva, a nova divisão: 60% para atletas de elite (top 6 Olympia, campeões nacionais) e 40% para creators com engajamento comprovado — mesmo sem cartão profissional.

O critério mudou de “títulos” para “CPM e conversão”. Um influenciador com 500 mil seguidores fiéis e taxa de engajamento acima de 4% costuma valer mais que um top 10 nacional sem presença digital.

Isso forçou atletas a virarem creators. E creators a entenderem de periodização, posing e bioquímica — ou perderem credibilidade.

O que Stronda acompanha no palco (e por que importa para o negócio)

Questionado sobre a elite atual, ele cita Samson Dauda como “físico mais completo” do Men’s Open: volume, definição e cintura estreita em harmonia. Não é só estética — é o pacote que vende ingressos, pay-per-view e merch.

No Brasil, aponta Leandro Peres (super-pesado) e sinaliza Lucas “Tarzan”, recém-profissionalizado no Mr. Olympia Brasil 2026. “Ele preencheu todo o frame. Se colocar mais massa, vira destaque global.”

Tarzan já nasce com 320 mil seguidores no Instagram. A estreia no circuito profissional será, simultaneamente, lançamento de produto para patrocinadores.

O que observar daqui para frente

A fronteira entre atleta e influenciador deixou de existir. O próximo ciclo olímpico (2025-2028) deve consolidar três tendências práticas para quem investe ou opera no setor:

  • Contratos híbridos: cláusulas de performance esportiva + metas de conteúdo (Reels, Stories, lives)
  • Eventos próprios de creators: feiras e exposições organizadas por canais, não por federações
  • Dados de audiência como moeda de troca: relatórios de retenção e CTR valem mais que ranking da IFBB na hora de renovar patrocínio

Quem ainda separa “esporte” de “conteúdo” está lendo o regulamento errado. O próximo contrato milionário sai para quem entende que, no fisiculturismo moderno, o palco é apenas um dos canais de distribuição.