Seis produtores de Rondônia acabam de garantir vaga entre os 20 finalistas do VIII Concurso Nacional de Cacau Especial. O anúncio saiu nesta terça-feira (20) e coloca o estado em evidência numa disputa que vale R$ 60 mil e projeção internacional. Mas o que explica esse desempenho expressivo numa competição dominada historicamente pela Bahia e pelo Pará?
Quem são os finalistas rondonienses
A lista revela uma concentração forte na região de Buritis, com quatro representantes. Os classificados concorrem nas categorias Varietal e Mistura, enfrentando produtores da Bahia, Pará e Espírito Santo. Confira os nomes e municípios:
- Cleiton Sousa da Silva – Buritis (RO)
- Elivaldo Fermino Ferreira – Buritis (RO)
- Gilmar Lucio da Silva – Jaru (RO)
- João de Oliveira – Buritis (RO)
- Arnaldo dos Santos Vieira – Ouro Preto do Oeste (RO)
- Ronivon Soares Santana – Presidente Médici (RO)
Como funciona a prova às cegas que define o campeão
A seleção não se baseia apenas na aparência das amêndoas. Primeiro, laboratórios avaliam características físicas e sensoriais brutas. Na etapa final, jurados degustam o licor de cacau — a pasta pura resultante da moagem — e barras de chocolate com 70% de cacau produzidas com os lotes inscritos.
Para garantir isenção total, as amostras recebem códigos alfanuméricos. Nem os avaliadores sabem a origem ou o autor de cada amostra. O vencedor sai puramente do perfil de sabor, aroma e textura.
Sustentabilidade pesa tanto quanto o sabor
O regulamento vai além da xícara. Práticas de manejo do solo, preservação de áreas nativas e responsabilidade ambiental nas propriedades entram no cálculo da nota final. Esse critério alinha o concurso às exigências do mercado europeu e de chocolates bean-to-bar, que pagam prêmio por rastreabilidade e origem ética.
Essa abordagem beneficia produtores que já adotam sistemas agroflorestais, comuns em diversas áreas de Rondônia. A integração do cacau com a floresta nativa deixa de ser apenas discurso e vira diferencial competitivo mensurável.
Prêmio de R$ 60 mil e anúncio em dezembro
A premiação totaliza R$ 60 mil, divididos entre os três primeiros colocados de cada categoria (Varietal e Mistura). Os vencedores serão conhecidos no dia 5 de dezembro, durante evento em Ilhéus (BA), polo tradicional da cacauicultura brasileira.
A realização é do Centro de Inovação do Cacau (CIC), em parceria com a AIPC e a Abicab, contando com apoio do Governo de Rondônia e iniciativa privada. A estrutura institucional sinaliza que o concurso deixa de ser ação isolada para virar política de Estado para o setor.
O que observar daqui para frente
O resultado final em dezembro dirá se a força numérica de Rondônia (30% dos finalistas) se converte em títulos. Independente do pódio, a presença massiva na final já funciona como vitrine para compradores nacionais e internacionais que buscam origem diversificada e qualidade consistente.
Para o empresário do agro ou investidor do setor de chocolates finos, o recado é claro: o mapa da cacauicultura de alta qualidade no Brasil está se redesenhando. Acompanhar a evolução dos lotes finalistas e a precificação das amêndoas pós-concurso dará a medida real do novo patamar de valor do cacau rondoniense.
