Economia

Sumiço de R$ 2,5 mi em RTX 5090 no Aeroporto de Guarulhos: empresa expõe falha e cobra respostas

Pallets com placas de vídeo RTX 5090 Zotac desaparecidos no Aeroporto de Guarulhos
Carga de RTX 5090 avaliada em R$ 2,5 milhões sumiu dentro do terminal de cargas de Guarulhos.

Uma distribuidora de Maringá (PR) denuncia o desaparecimento de dois pallets carregados com placas de vídeo RTX 5090 da Zotac dentro do Aeroporto Internacional de Guarulhos. O prejuízo estimado, apenas a preço de custo, ultrapassa R$ 2,5 milhões. A carga entrou no terminal, mas nunca foi entregue ao destinatário.

O caso expõe uma vulnerabilidade logística que atinge diretamente importadores de alto valor. A empresa, com 38 anos de mercado e 17 anos de experiência em importação, afirma nunca ter enfrentado situação semelhante. O silêncio do aeroporto até o momento amplia a incerteza.

O que se sabe até agora

Segundo Oderço Matos, presidente da Oderço Distribuidora, a mercadoria chegou ao terminal aeroportuário de São Paulo, mas não foi localizada nos setores de desembaraço ou armazenagem. Dois pallets — volume considerável para simplesmente “sumir” — não aparecem nos sistemas de rastreamento interno.

Os equipamentos são GPUs de última geração, voltadas para inteligência artificial, renderização pesada e jogos de alto desempenho. A escassez global desse modelo eleva o valor de mercado muito acima do custo declarado, o que torna o sumiço ainda mais sensível.

  • Valor a preço de custo: R$ 2,5 milhões
  • Produtos: Placas de vídeo RTX 5090 (Zotac)
  • Volumes: Dois pallets
  • Origem: Importação regular da Oderço Distribuidora
  • Local: Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU)

Por que isso preocupa todo importador

O episódio não é um caso isolado de extravio de bagagem. Estamos falando de carga paletizada, rastreável, de alto valor agregado, dentro de uma área restrita e monitorada por câmeras e sistemas de controle de acesso. Se dois pallets desaparecem sem deixar rastro digital, a falha não é operacional — é sistêmica.

Para empresas que dependem de importação just-in-time ou que mantêm estoques enxutos de componentes caros, o precedente é alarmante. O seguro de transporte cobre o valor, mas não repõe o tempo perdido, a quebra de contratos com clientes finais nem a reputação abalada.

A resposta que não veio

O Aeroporto Internacional de Guarulhos foi procurado para se manifestar. Até o fechamento desta reportagem, não houve retorno oficial. O espaço permanece aberto, mas o silêncio já fala por si: em casos de desaparecimento de carga valiosa, a falta de posicionamento rápido costuma indicar investigação interna em andamento — ou tentativa de contenção de danos.

A Oderço optou por tornar o caso público após esgotar canais formais sem obter respostas. A estratégia pressiona por transparência e pode forçar a abertura de inquérito policial, já que o valor configura furto qualificado ou roubo de carga, crimes com penas severas no Brasil.

O que observar nos próximos dias

Três frentes merecem atenção de quem atua em logística, comércio exterior ou segurança patrimonial:

  • Manifestação oficial do GRU Airport: se houver nota, ela deve detalhar se houve falha no sistema de rastreamento (WMS), rompimento de lacre ou acesso não autorizado à área de armazenagem.
  • Registro de boletim de ocorrência: a formalização policial transforma o caso em inquérito, o que exige preservação de imagens de CFTV e logs de acesso — provas que têm prazo curto de retenção.
  • Posicionamento da Zotac e distribuidores autorizados: fabricantes costumam rastrear números de série. Se as placas aparecerem no mercado paralelo, a cadeia de receptação pode ser mapeada.

Enquanto o mistério persiste, a lição imediata para gestores de supply chain é clara: conferir se seus contratos de transporte e armazenagem preveem cláusulas de responsabilidade solidária em áreas aeroportuárias, e se há auditoria independente dos sistemas de rastreamento do terminal. Dois pallets não somem sozinhos. Alguém sabe onde estão.