Todas as 6.868 agências dos Correios com Balcão Cidadão passaram a receber eletroeletrônicos usados desde 14 de outubro. A gratuidade e a capilaridade da rede podem finalmente destravar a logística reversa no país — mas há regras que pegam muita gente de surpresa.
Como funciona na prática
O cliente leva os equipamentos em uma caixa aberta de até 1 metro cúbico. No balcão, o atendente confere o conteúdo, coleta dados pessoais (nome, CPF, endereço, e-mail e telefone) e emite um comprovante de envio. A embalagem é lacrada ali mesmo.
Cada item segue rastreado até a destinação final, sob responsabilidade de parceiros homologados no sistema Circulare, operado pela Circular Brain.
O que entra — e o que fica de fora
- Aceitos: celulares, notebooks, tablets, fones, cabos, carregadores e pequenos eletroeletrônicos (até 30 kg).
- Rejeitados: pilhas, baterias avulsas e lâmpadas — esses continuam exigindo pontos específicos.
O tamanho do problema brasileiro
Dados da ONU (2024) colocam o Brasil como terceiro maior gerador de lixo eletrônico da América do Sul: 2,4 milhões de toneladas por ano. A taxa de coleta formal? Apenas 3%.
Desde 2010 a Política Nacional de Resíduos Sólidos e o decreto 10.240/2020 exigem que fabricantes e varejistas estruturem a logística reversa. A meta nunca saiu do papel por falta de pontos de entrega acessíveis.
Por que o acúmulo em casa prejudica a indústria
Segundo Marcus Oliveira, diretor da Circular Brain, milhões de aparelhos parados em gavetas representam matéria-prima perdida. Ouro, cobre, terras-raras e plásticos de engenharia deixam de retornar à cadeia produtiva, forçando nova extração mineral.
“Quando ficam parados sem utilidade, esses eletrônicos deixam de ser reciclados”, resume o executivo.
O que observar nos próximos meses
A capilaridade dos Correios resolve o “último quilômetro” da coleta, mas o gargalo segue na triagem e no processamento final. Acompanhe: expansão para agências sem Balcão Cidadão, metas trimestrais de volume coletado e eventuais incentivos fiscais para quem descartar corretamente. Se a adesão crescer, a indústria de reciclagem nacional pode ganhar escala — e reduzir a dependência de insumos importados.
