Economia

Sesc e Senac compram sede do Banco Safra e criam mega-hub de 25 mil m² no Centro do Rio

Antiga sede do Banco Safra na Praça Pio X, Centro do Rio, futura mega-hub do Sesc e Senac
Edifício da antiga sede do Banco Safra na Candelária, adquirido pelo Sesc e Senac para complexo de 25 mil m²

O Sesc e o Senac acabam de consolidar a compra de três edifícios na Praça Pio X, na Candelária, para erguer um complexo corporativo de 25 mil metros quadrados. A antiga sede do Banco Safra, fechada no ano passado, é a peça central da operação. As obras devem começar em maio de 2027.

O movimento sinalia algo maior: a região, berço do sistema bancário brasileiro, virou alvo preferencial do capital institucional. Entenda o que está em jogo.

Três prédios, um único CNPJ

O projeto, batizado de Unidade Centro dos Departamentos Nacionais, une imóveis de épocas e estilos diferentes. Além do edifício do Safra, entram no pacote a antiga Universidade Cândido Mendes — arrematada em leilão há quase dois anos — e um terceiro prédio vizinho.

A integração caberá ao escritório RAF Arquitetura. A solução encontrada: fachadas de vidro e brises metálicos que dialogam com a linguagem modernista da vizinhança, preservando os pilotis originais. O conjunto está em área de proteção arquitetônica, o que impõe regras rígidas de intervenção.

Por que a Candelária virou “cinturão do Sesc”

A expressão não é força de fala. Nos últimos meses, o Sistema Fecomércio concentrou aquisições em um raio de poucas quadras:

  • Espaço Ciência e Cultura Sesc: inaugurado em maio de 2024, ocupa um modernista revitalizado do outro lado da Igreja da Candelária.
  • Hotel-escola Senac-RJ: primeiro da rede no estado, em imóvel que abrigou a previdência dos funcionários do Banco do Brasil. Serão 40 suítes e restaurante para 130 lugares.
  • Mega-sede administrativa: o anúncio desta matéria, reunindo as diretorias nacionais de Sesc e Senac.

Todos os ativos eram subutilizados. A estratégia combina revitalização urbana, expansão de serviços e valorização patrimonial de longo prazo.

O que muda para o mercado imobiliário local

A entrada de um player com caixa previsível e horizonte de décadas altera a dinâmica de um Centro que ainda carrega vazios de ocupação pós-pandemia. Três efeitos diretos:

  • Valorização de entorno: imóveis vizinhos ganham atratividade para varejo, gastronomia e moradia.
  • Fluxo de pessoas: só o hotel-escola projeta movimento constante de alunos, professores e hóspedes — demanda que não existe hoje.
  • Sinal para outros fundos: a operação valida teses de retrofit em área tombada, ainda vistas como risco jurídico por muitos investidores.

Mas o efeito mais relevante aparece no planejamento de longo prazo das próprias entidades.

Gestão centralizada, capilaridade preservada

Hoje, as diretorias nacionais do Sesc e do Senac operam em endereços dispersos. A concentração na Candelária reduz custos operacionais — aluguel, manutenção, deslocamento interno — e acelera a tomada de decisão.

Ao mesmo tempo, a capilaridade territorial não sofre: as unidades de atendimento ao público (escolas, clínicas, teatros, centros de lazer) seguem distribuídas pelos bairros. O ganho é apenas administrativo.

O que observar daqui pra frente

Três marcos ditam o ritmo nos próximos 30 meses:

  • Abril de 2026: entrega do projeto executivo e licenciamento definitivo junto ao IRPH e IPHAN.
  • Maio de 2027: início das obras, com previsão de 24 a 30 meses de execução.
  • Segundo semestre de 2029: ocupação escalonada das equipes, começando pelas áreas fim.

Enquanto isso, o hotel-escola do Senac deve abrir as portas antes — previsão interna aponta 2026 — funcionando como âncora de fluxo na quadra. Para quem acompanha o Centro do Rio, a Candelária deixa de ser “área em transição” e passa a ser caso de estudo: como capital paciente e uso misto reescrevem uma região inteira sem demoler sua memória.