Tecnologia

iFood compra startup e muda o jogo da entrega: autonomia total sem gerir frota

iFood lança Entrega Dedicada: frota exclusiva para restaurantes sem gestão de entregadores
Nova solução do iFood dá autonomia total na entrega sem a dor de cabeça de gerir frota própria.

O iFood acaba de adquirir a Pick n Go para resolver a maior dor de cabeça dos restaurantes: ter controle total da entrega sem a dor de cabeça de gerir entregadores. A jogada lança o “Entrega Dedicada”, produto que coloca a frota do aplicativo à disposição exclusiva do estabelecimento nos horários de pico.

Até então, quem não queria usar a logística padrão da plataforma ficava refém de frota própria — custos fixos, escalas, faltas. A solução chega para preencher esse vácuo.

Por que os donos de restaurante rejeitavam a logística do iFood

Segundo Arnaldo Bertolaccini, VP de logística da empresa, a recusa não vinha do custo, mas da falta de autonomia. Os parceiros queriam visibilidade em tempo real: saber onde está o pedido, qual o trajeto, se o entregador parou no trânsito.

O modelo anterior não permitia isso. A aquisição da Pick n Go, startup de Brasília fundada em 2020, traz exatamente essa camada de tecnologia — um SaaS que já gerencia 1,5 milhão de entregas por mês para mais de 4 mil estabelecimentos.

O que muda na prática com o Entrega Dedicada

Restaurantes contratam entregadores da base do iFood (são 600 mil cadastrados) para turnos exclusivos. O profissional escolhe se aceita; a remuneração é diferenciada. A gestão de rotas, tracking e status fica por conta da tecnologia recém-adquirida.

  • 35 cidades já operam com o produto
  • Expansão para 55 localidades nos próximos 30 dias — São Paulo inclusa
  • Testes em Florianópolis, Sorocaba e Londrina validaram o modelo

Resultados que chamam a atenção do mercado

Nos pilotos, 964 restaurantes aderiram. O tempo médio de entrega caiu 3 minutos e os cancelamentos despencaram 47%. Números que explicam por que o iFood manteve a startup independente — gestão própria, base de clientes preservada — mas a integrou de forma profunda à sua infraestrutura.

O M&A levou 90 dias entre negociação e testes técnicos. Valor não divulgado.

O tabuleiro maior: R$ 24 bi e mais aquisições no radar

Bertolaccini foi direto: com o volume de entregas que a plataforma processa, “vamos precisar nos valer da inteligência de startups que podem gerar valor”. O aporte de R$ 24 bilhões até 2027 sinaliza apetite para mais movimentos semelhantes.

A Pick n Go foi a primeira peça visível dessa estratégia. Não deve ser a última.

O que observar daqui para frente

A expansão para São Paulo — maior mercado do país — será o teste de estresse real. Se os 3 minutos de ganho e a queda de quase metade nos cancelamentos se repetirem em escala, o modelo vira padrão e pressiona concorrentes a replicarem a estrutura de frota dedicada. Para donos de restaurante, a conta é simples: menos gestão operacional, mais previsibilidade. O próximo trimestre dirá se a promessa se sustenta.