Economia

Inflação 2026: mercado eleva previsão a 5,22% e estoura teto da meta

Gráfico mostra projeção IPCA 2026 a 5,22% acima da meta 4,5% e Selic a 13,25%
Mercado eleva inflação 2026 para 5,22% e reduz Selic projetada para 13,25%

O Boletim Focus desta terça-feira (13) trouxe a quarta alta seguida na projeção do IPCA para 2026: saltou de 5,01% para 5,22%. O número segue acima do teto da meta oficial, fixado em 4,5%.

Enquanto a inflação assusta, o mercado cortou a estimativa da Selic no fim do próximo ano — de 13,50% para 13,25%. A contradição aparente esconde uma leitura de risco que todo gestor precisa entender.

O que mudou nos números desta semana

O relatório semanal do Banco Central consolida as apostas de cerca de 100 instituições. Veja os principais movimentos:

  • IPCA 2026: 5,22% (era 5,01% na semana anterior)
  • PIB 2026: mantido em 1,85%
  • Selic fim de 2026: 13,25% (caía de 13,50%)
  • Dólar fim de 2026: R$ 5,15 (recou de R$ 5,20)
  • IPCA 2027: estável em 4,30%
  • IPCA 2028: leve queda para 3,79%

Por que a Selic cai se a inflação sobe

A redução na taxa terminal não significa afrouxamento. O mercado precifica que o BC terá de manter juros altos por mais tempo, mas enxerga espaço para um ciclo de cortes mais adiante — desde que a ancoragem das expectativas não se descontrole.

Hoje a Selic está em 13,75%. A projeção de 13,25% para dezembro de 2026 implica queda de apenas 0,5 ponto percentual em mais de um ano. É um cenário de juros restritivos prolongados.

O alerta do próprio Banco Central

Na ata do Copom de 22 de setembro, o colegiado reconheceu que os efeitos do aperto monetário vêm se acumulando no crédito e na demanda. Mas fez um aviso claro: as expectativas de inflação permanecem acima da meta.

Dois dias depois, o Relatório de Política Monetária cortou a projeção oficial de crescimento para 2026 de 2% para 1,8% — abaixo, portanto, da mediana do mercado. O BC admite que a inflação fechará o próximo ano acima do teto de 4,5%.

Impacto direto no planejamento corporativo

Para quem gere orçamentos, contratos ou precificação, três variáveis merecem atenção redobrada:

  • Reajustes indexados ao IPCA: a projeção de 5,22% eleva o custo de contratos de aluguel, concessões e dívidas atreladas à inflação.
  • Custo de capital: Selic em 13,25% no fim de 2026 mantém o spread bancário pressionado e inibe investimentos de longo prazo.
  • Câmbio: dólar a R$ 5,15 alivia importadores, mas ainda reflete prêmio de risco elevado.

O que observar daqui para frente

As próximas reuniões do Copom e as divulgações do IPCA mensal ditarão se a alta das projeções estanca ou continua. O mercado já precifica inflação acima da meta por dois anos consecutivos — 2025 e 2026. Se a convergência para 3% não aparecer no horizonte de 2027, o BC será forçado a estender o ciclo restritivo além do que as atuais apostas indicam. Para o decisor de negócios, o recado é simples: planeje para juros altos por mais tempo e inflação acima do teto no curto prazo.