Uma parceria entre a Rooftop e a financeira Oxy acaba de criar uma porta de saída estruturada para quem vendeu o imóvel a um fundo para quitar dívidas urgentes. O proprietário recebe 60% do valor de mercado, mantém a posse pagando aluguel e agora pode financiar a recompra em até 240 meses. Mas como funciona na prática essa engenharia financeira que promete devolver a escritura?
O mecanismo: liquidez imediata sem perder a moradia
Tudo começa no HomeCash, um FII (Fundo de Investimento Imobiliário) gerido pela Rooftop em parceria com a Galápagos Capital. O fundo adquire o imóvel do proprietário endividado por 60% do valor de avaliação. Em troca, o vendedor assina um contrato de locação e continua morando no local.
A operação resolve o problema de caixa do momento — dívidas bancárias, disputas judiciais ou falta de liquidez — sem exigir a mudança imediata. O antigo dono vira inquilino da Rooftop, ganhando fôlego para reorganizar as finanças.
Onde a Oxy entra: o financiamento da recompra
A novidade anunciada agora é a parceria com a Oxy, especializada em crédito imobiliário, para viabilizar o “final feliz” da operação. O inquilino que conseguiu se reestruturar pode exercer o direito de recompra do imóvel com condições atrativas:
- Financiamento de até 80% do valor de recompra;
- Prazo máximo de 240 meses (20 anos);
- Permissão para uso do saldo do FGTS na composição da entrada ou amortização;
- Análise de crédito realizada integralmente pela Oxy.
Essa estrutura transforma a venda forçada em uma ponte temporária, não em um ponto final.
Duas rotas de saída para o proprietário
Ao final do período de locação — ou quando a saúde financeira permitir —, o cliente tem duas alternativas concretas:
- Recomprar e ficar: Utiliza o financiamento da Oxy, paga o valor acordado ao fundo e retoma a titularidade do bem.
- Vender a terceiro: Encontra um comprador no mercado aberto. A diferença entre o preço de venda e o valor de recompra combinado com o fundo fica integralmente com o antigo proprietário.
Na prática, se o imóvel valorizou ou se o dono consegue vendê-lo acima do preço fixado com o HomeCash, o lucro (ou a menor perda) é dele.
Visão de quem desenhou o produto
“A liquidez resolve uma necessidade financeira imediata do presente, mas uma operação imobiliária estruturada também precisa considerar o que pode acontecer na saída”, afirma Daniel Gava, CEO da Rooftop. A fala resume a filosofia do fundo: não apenas comprar barato de quem está apertado, mas desenhar o caminho de volta.
O HomeCash foi constituído em 2025 e mira um nicho específico: imóveis com “encrencas” — seja por dívidas do dono, inventários travados ou dificuldade de venda rápida no mercado tradicional. A parceria com a Oxy fecha o ciclo, dando previsibilidade ao investidor do fundo (que sabe que há saída via financiamento) e ao morador (que sabe que pode voltar a ser dono).
O que observar daqui para frente
Para o empresário ou investidor que acompanha o setor, o modelo sinaliza uma sofisticação do mercado de distressed assets (ativos estressados) no Brasil. A combinação de FII para aquisição, gestão de locação por proptech e funding de longo prazo via financeira especializada cria um produto de “compra com opção de recompra financiada” inédito em escala.
Fique atento à adesão dos tomadores ao financiamento de 20 anos e à performance de crédito da carteira da Oxy nesse perfil específico. Se a inadimplência ficar controlada, a tendência é que outros fundos repliquem a estrutura, ampliando a liquidez para imóveis que hoje ficam parados no judiciário ou em leilões frustrados.
